segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E chove

Poucas novidades nas duas últimas semanas. Tem chovido praca, mas meu interior tem permanecido sequinho, sinal de que as borrachas ainda funcionam bem.
O meu proprio finalmente resolveu limpar as maçanetas e lubrificá-las. Tava precisando. Sexta-feira, depois de muitos anos (nem lembro quantos), um pneu furado. Um senhor prego entrou no traseiro esquerdo - que é novo - e fez o estrago. Felizmente estou equipado com pneus sem câmara e foi possível rodar um tanto ainda, antes que o prego fosse removido.
Sábado o proprio e a esposa vão para o interior de São Paulo e eu vou passar uma semana na garagem, sequinho. Ahhh, that's the life.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Engarrafamento

Fiquei com vontade de deixar o próprio na mão hoje. O energúmeno se impacienta com o horroroso trânsito - que ele sabia que ia ter que enfrentar - e desconta em mim. Acelera duma vez, freia bruscamente, muda de marchas com violência. Pangaré. Meu consumo aumentou ligeiramente e ele deve estar com a perna esquerda em frangalhos, pois minha embreagem é macia, mas ela existe e o pedal está lá.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Chuva

Ando muito requisitado ultimamente. O pangaré do meu dono não é muito fã de se molhar. Esta é a época do ano que mais chove em Brasília, daí meu tanque costuma durar muito menos que um mês, pois se está chovendo de manhã, ou ameaçando chover, meu proprio deixa aquela gracinha tesuda de duas rodas (o que é? Tenho quatro rodas e nenhum preconceito!) na garagem, porque não curte ter que vestir roupa de chuva pela manhã.
Brasília chove à beça e é cheia de problemas. Na minha primeira estadia aqui, logo que fui adquirido, portanto cheio de peças enferrujadas e buracos no assoalho, passamos por um aperto. Eu tinha acabado de sair da oficina onde tive os freios revisados e chovia muito. Para fugir de pontos críticos, o proprio resolveu desviar da L2 e pegou o setor de embaixadas. Burrada sem tamanho, pois lá a enxurrada é maior e mais forte.
Resultado: ao finalmente pegar uma rua para subir para a 210 Sul - teríamos que cruzar a L2 - enfrentamos uma enxurrada que só venci porque tenho torque e a embreagem estava em bom estado. Tremia tudo, bicho. Quando paramos na garagem do prédio o espertão teve que pegar balde e panos para tirar a água acumulada no assoalho. Nem preciso dizer que no ano seguinte, uma das primeiras providências que o pai dele tomou foi trocar o dito assoalho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Com quantas peças se faz um Fusca?

Honestamente não sei a resposta a essa pergunta. Nós, Fuscas, somos veículos curiosos. Milhares de peças de nomes estranhos compõem nossa (quase) indestrutível estrutura. Duvida? Se eu te dissesse, por exemplo, que em fuscas você encontra pestanas, bananinhas, chapéu de Napoleão, polaina, galão e brucutu? Não faço a menor ideia de por que chamam o esguicho de água de brucutu. A maioria desses nomes não é nada técnico, mas muitos foram adotados pela indústria de auto-peças para facilitar a comunicação com comerciantes e mecânicos.
Exemplo de pestana
Exemplo de fusca com pisca bananinha



Outra coisa bacana é que pelas lojas on-line da vida é possível comprar praticamente um carro inteiro, aos pedaços. Tem site que vende até parafusos específicos, como aquele bojudinho que prende a maçaneta à porta. Sabia? Guarnições, então, tem de tudo quanto é jeito. A propósito, o galão a que me referi lá em cima é aquela borracha de acabamento que fica entre os paralamas e a carroceria do carro. Savvy?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um pouco de história

Achei apropriado, para meu terceiro post (sei, sei, é o nome do meu propriotário que aparece lá embaixo, mas Fuscas não abrem contas no Google), contar um tiquinho da minha história e de meus antepassados, no Brasil. A fonte é a Wikipédia, só traduzi e fiz umas adaptações. A produção brasileira do Sedan - mais tarde conhecido como Fusca - teve início em 1953 com peças importadas da Alemanha. Em 1959 os carros já eram 100% nacionais. 
Esse modelo também ficou conhecido como "split window" (janela repartida). A produção continuou até 1986. Voltou a ser produzido entre 1993 e 1996. Esse último modelo ficou conhecido como Itamar, em alusão ao Presidente da República, que pediu que a produção do carro fosse retomada. O modelo tinha carburação simples e motor 1600cc.

Voltando, a versão brasileira manteve o estilo da carroceria do modelo 58-64 (EUA e Europa), com os pilares das portas grossos e janelas laterais menores. Essa carroceria também foi produzida no México até 1971. Em 1973 todos os Fuscas brasileiros (1300 e 1500) foram atualizados com a lataria, parachoques e rodas de 4 parafusos do modelo iniciado em 1968. Rodas de 5 parafusos e faróis grandes (bugeye), entretanto, foram produzidos até 1972 (os VW 1200 e 1300 básicos fabricados no Brasil eram similares aos 1200 europeus e americanos de 1964, até que surgiu o modelo 1970, emboras tivesse rodas vazadas desde meados dos anos 60). Os 1200 e 1300 de 71/72 tinham as lanternas, faróis e tanque de combustível do 64, mas eram equipados com os parachoques elevados do 68. 
Kits CKD (completamente desmontados) fabricados no Brasil embarcaram para a Nigéria entre 75 e 87 onde eram montados. As versões produzidas no Brasil foram vendidas em países vizinhos, como Argentina e Peru.
As lanternas grandes que fizeram o modelo ficar conhecido como Fafá vieram em 1979 e remetem à "fartura" da cantora Fafá de Belém. O parabrisas curvo e as lanternas nos parachoques nunca chegaram à produção no Brasil, embora seja possível comprar kits para adaptação.
Os Fuscas brasileiros tem quatro motores diferentes: 1200, 1300, 1500 e 1600cc. Nos anos 70, a Volkswagen produziu o SP-2 (derivado do chassi e transmissão do Fusca), que utilizava um 1700cc a ar, que era um 1600cc com volume aumentado graças à adoção de cilindros de diâmetros maior.
No Brasil o Fusca nunca recebeu injeção eletrônica, mantendo carburação simples ou dupla durante toda sua produção. Essa carburação dependia do tipo e ano dos motores. 
A produção do motor a ar foi finalmente encerrada em 2006, após mais de 60 anos.
Ele foi utilizado por último na VW Kombi e foi substituído por um 1.4 de refrigeração líquida e sistema de arrefecimento montado na dianteira.
Em sua história foram fabricados 21.529.464 Fuscas, em todo o mundo. Já foi o modelo mais fabricado do mundo, mas o VW Golf atingiu a marca de 25.000.000 em 2007 e o Toyota Corolla 35.000.000, também em 2007. Vale a pena ainda mencionar que, em sua versão antiga, o apelido (e temos muitos apelidos) Fusca foi adotado oficialmente no Brasil e somente no Brasil. Não existe um Carocha, por exemplo, de fábrica. Quando saiu o new Beetle é que a matriz resolveu adotar o apelido. Beleza? Fui.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vintage

Pode-se dizer que eu seja meio caretão. Tudo original (ou quase). Tá cheio de gente por aí que adora mexer nos meus primos. Muitos fazem restaurações, serviços primorosos mesmo, e o que era caquético, volta a ter a mesma cara de quando saiu da fábrica.
Mas, tem gosto para tudo nesta vida. Deem uma sacada nisto:
Francamente, né? O que é isso? Um baja "there-goes-the-neighbourhood"? E isto aqui?
Coitado. Só anda em linha reta, aposto.
Claro, nem tudo são desgraças, veja:
Até que ficou bonitinho, não?  Cara, tem neguinho que faz o diabo. Quem nunca viu um Fusca com nariz de Rolls Royce? De onde tiraram isso, cara? E o Fusca rosa? Claro que tem muitos deles por aí. E nem poderia deixar de ser diferente:
Eca.
Sim, sou caretão. Mas meu propriotário não vive sem música. Quando me comprou eu tinha um rádio AM com um alto-falante só, do lado do volante, na cara do motora. Doído, bicho. O camarada, então, de cara mandou instalar um rádio toca-fitas Sony, com um par de triaxiais no tampão. E ficou assim até um dia desses. Hoje eu ostento um rádio AM/FM que toca também mídias digitais, como pen-drives e iPods. No tampão hoje tem um par de quadraxiais Pioneer para garantir os graves e nas portas um kit duas vias Selenium, para dar conta do resto do barulho. E ficou da hora, falei?  É isso, por ora. Estou ali paradão no estacionamento, tomando a fresca. Fiquem ligados. Inté.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Carro bloga?

Bloga. Ou, pelo menos, vai começar a blogar agora. Meu nome é Borges. Prazer. Nasci em 1978, em São Bernardo do Campo. Não me lembro de quantos donos tive, mas sei que não sou vendido desde 1997. Quilometragem? Faço nem ideia. Já rodei pacas, viu? Já tive várias partes da minha lataria trocadas, e atualmente gostaria que meu propriotário mandasse me pintar. Meu branco tá meio apagadão. Em compensação, o motor tá melhor que nunca. Pneus novos, pára-brisas novo, película nos vidros. Até um adesivo escrito "Invendável" o cara colocou. Acho que ele gosta de mim.
Sou eu aí. Bonitão, né?
Essa foto aí foi tirada na semana que eu, após mais de doze anos vivendo no interior de São Paulo aos cuidados do seu Oracio, pai do cara meu propriotário, voltei para Brasília. Recapitulando: fui adquirido lá (ainda com placas amarelas) e trazido para Brasília, depois de uma revisão feita pelo tio do cara, o Gilberto. Alguns meses depois o pangaré se mandou para a Arábia Saudita e me deixou em Pirapozinho. Já fiz essa viagem umas três vezes. Já fui para Santa Catarina também. E para Beagá.
Então, nesse dia da foto recebi uma lavada para tirar o pó da estrada.
Bem, vamos que vamos. Depois a gente conversa mais.