sexta-feira, 19 de julho de 2019

Novo capacete. De novo.

´Dia, povo.
Capacete novo, de novo? Sim, de novo. O Bell Qualifier DLX, no fim das contas, não deu certo. Após cerca de seis meses tentando, optei por me desfazer dele. Caso alguém tenha interesse, procura lá no Enjoei que o preço tá joinha. Está anunciado no OLX também.
A viseira Transitions funcionou legal, mas acabei vendendo separadamente.
O que deu errado? Bem, o formato do casco, basicamente. Aperta horrorosamente no topo da cabeça, nas laterais. A ponto de eu não conseguir passar mais do que 30 minutos direto com ele na cabeça sem começar a sentir. Relendo análises na internet, principalmente a da WebBikeWorld, vi a observação que preferi ignorar: compre um número acima, pois ele tem a tendência a apertar. A mesma indicação sobre o Scorpion que cogitei importar. Resolvi abreviar minha experiência com o bom e barato Bell. Eu poderia tê-lo trocado por um 58 e aproveitado a viseira e tudo bem, só que preferi aproveitar a oportunidade e mudar de estilo de capacete.
A escolha recaiu sobre o tipo de capacete atualmente preferência entre 7 de cada 10 proprietários de moto "adventure", ou "big trails" ou qualquer outra nomenclatura que indique motos do estilo da Tiger, GS, etc: capacetes que tem estilo "off road", mas escamoteáveis e com viseira solar.
E o escolhido da vez foi este:
LS2 Metro Evo Rapid FF324, nessa combinação branco/vermelho.
Não comprei pela internet desta vez, mas na Dany Motos, tradicional loja localizada em Taguatinga/DF. Consegui um ótimo preço pelo capacete (R$ 980,00), bem melhor do que a maioria das lojas online e eles tinham não apenas variedade de grafismos como de tamanho, envergonhado outras lojas de Brasília que só trazem tamanhos maiores e na cor preta. Estamos muito mal de lojas de acessórios aqui, devo dizer. A Dany Motos, entretanto, se não é páreo para lojas de SP, dá show em variedade, preço e, sobretudo, atendimento.
Como a maioria dos LS2 atualmente, o Metro Evo Rapid é muito bem construído e bem acabado. Faço ressalva apenas para a viseira e a pala. A viseira parece ter o sistema de acionamento muito frágil, mole. Mas quando fechada não compromete pois é espessa. Andar com ela aberta, é garantia de barulho. Outra coisa que me decepcionou foi a pala. É muito flexível e vibrou demais com o vento, chegando a fazer meus olhos tremerem, atrapalhando a condução. É possível removê-la, no entanto. O desengate rápido da viseira exige que a pala esteja removida.
Primeira impressão é de barulho alto por causa da pala. A impressão que tive nas primeiras voltas é  de que o ruído seja causado na área de encaixe.
Quanto à vibração, pretendo utilizar algum método para enrijecer a pala. Se der certo, postarei o processo aqui.
Acabamento muito bom, veste justo e firme. A cinta jugular é larga e confortável, a fivela do fecho micrométrico é de metal, mais comum em capacetes mais caros.
O acionamento da viseira solar é feito por botão deslizante, mas não há sistema de mola para recolhê-la, o que seria preferível, mas complicaria o sistema.
O casco, disponível em 3 tamanhos diferentes, é feito em KPA (Kinetic Polymer Alloy) e pesa cerca de 1600 gramas.
Interessante é a compatibilidade com o novo sistema Linkin RidePal III, da Sena. O módulo de comando e a bateria são encaixados em pequenos bolsos na própria cinta jugular. Veka mais aqui no site da Revzilla.

Fico por aqui, por ora. Voltarei com um update quando tiver utilizado mais o capacete. Neste sábado partirei para o interior de SP com minha adorada melhor metade (primeira viagem longa dela) e postarei algo sobre essa viagem após nosso retorno.
Inté.

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ATUALIZAÇÃO
Desisti, ao menos por ora, de usar a pala. Muito barulho e vibração para pouco benefício. A pala só é útil com o sol a pino. Do meio da tarde para frente, ou no comecinho da manhã, com o sol baixo, não faz efeito algum. Ainda não descartei a ideia de reforçá-la, de alguma forma.
Assistindo a um video do viajante holandês Pedro Mota, notei que ele passou a utilizar este mesmo capacete. Preocupou-me o fato de que ele precisou retornar à loja para repor o parafuso que prende a queixeira, viseira e pala, que se soltou. Bom ficar de olho. Provavelmente foi a vibração que fez o parafuso se soltar. Em alguns momentos, no vídeo, dá para notar a vibração.
Fora isso, o capacete é confortável, apesar de barulhento e "ventoso".

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ATUALIZAÇÃO, pt. II
Comprei outro capacete. Fiz mais um teste com o LS2, com o intercom e protetores auriculares. Na ida, 130km sem os protetores. Pude ouvir a música com clareza, mas o barulho do vento era ensurdecedor. Na volta coloquei os protetores. A música quase desapareceu sob os próprios e o barulho do vento.
Há uma entrada de vento pelo lado esquerdo, que não faz muito sentido. Mas é por ali que consegui finalmente passar os fios do sistema. O controle fica um pouco para trás porque os escamoteáveis modernos abrem uma boa porção da queixeira e fica pouco espaço para instalar o intercom. Este, por sua vez, é um baita de um tijolo e só faz aumentar o barulho.
"Garrei" a pensar e comecei a considerar a aquisição de um capacete fechado. Bati um papo com um amigo e quaaaaase fechei negócio num Shoei GT-Air. Ele conseguiria o capacete por R$ 2.500,00, uma bela grana, contra os R$ 2.980,00 que custa no Brasil.
Dei para trás no negócio e continuei a considerar o sofrimento e encarar a viagem com o LS2 ou inverter tudo de novo e usar o Caberg, sensivelmente mais silencioso.
Fuça daqui e dali, comecei a olhar os capacetes da Nolan. O N87 me pareceu uma boa opção, por menos de 2 mil. Dei aquela olhadela básica no site da WebBikeWorld e vi que o danado, lançado mundialmente em 2016, ainda é fabricado com algumas melhorias, mas essencialmente o mesmo (ótimo) capacete.
Negocia daqui e dali, e a galera da Nova Moto Store conseguiu um preço bacana pelo capacete branco, já com Pinlock original. Arriscado, pensei, lembrando da experiência com o Bell.
O N87 é bem leve, fabricado em Policarbonato - Lexan, pesa cerca de 1350g. Suas entradas de ar funcionam bem, a viseira solar tem boa cobertura e o campo de visão é amplo. O capacete é novo e veste justo. Em algum momento devo fazer um teste de várias horas, para verificar se o problema que tive com o Bell não se repetirá. Como está agora, tenho a opção de abraçar o LS2 e encarar a viagem com barulho alternando desconforto, passar o intercom para o Caberg no que seria provavelmente a primeira e última grande viagem dele, ou passar o intercom no apagar das luzes para o Nolan e ver no que dá.
Veremos.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Corredor de los Pájaros Pintados 2019

Está chegando a hora de mais uma viagem. A preparação está adiantada e a ansiedade começa a mostrar sua carota.
Depois de descartar uma ida à fantástica Carretera Austral por conta do tempo necessário para essa viagem - coisa que muita gente não tem sobrando - decidimos por um roteiro mais próximo. Numa matéria há não muito tempo, li sobre o Corredor de los Pájaros Pintados, no oeste do Uruguai, fronteira com a Argentina.  Esse roteiro foi instituído há alguns anos como rota turística oficial, pelo órgão de turismo uruguaio, principalmente em função da diversidade.
Bem verdade que boa parte desse roteiro deve ser mais interessante em meses mais quentes, mas isso não nos desanimou. Serão 20 dias ao todo, saindo de Brasília em 10 de agosto e retornando no dia 30. O trajeto será de cerca de 7000 quilômetros e incluirá as seguintes cidades: Araçatuba, Foz do Iguaçu, Paso de los Libres (ARG), Salto, Paysandu, Colónia del Sacramento, Montevideo e Punta del Este (URU), Bagé, Gramado, Urubici, São Francisco do Sul, Registro e Ribeirão Preto. Algumas dessas cidades serão apenas paradas para pouso. Salto e Paysandu são cidades no Corredor e servirão de base para passeios na região. Muitas das atividades, como eu disse, são mais bem aproveitadas no verão, pois incluem muitas atividades náuticas nos rios da região. Mas todas as cidades têm algum interesse histórico e, no frigir dos ovos, o que queremos é rodar.

Inicialmente com seis motos e um tricilo CanAm, o grupo se viu reduzido a três motos - com uma quarta ainda a confirmar. Serão duas GS 1200 e uma (ou duas) Tiger 800. As garupas começarão a viagem em Foz do Iguaçu e terminarão em Curitiba. Bem, duas delas. A terceira se juntará ao grupo em Gramado.

Concentrei o começo da preparação na aquisição de equipamentos. Jaqueta, calça e botas novas, mais intercomunicador decente (Cardo Packtalk Bold). Esse ainda está dando um pouco de dor-de-cabeça para ficar bem instalado nos capacetes que vamos usar na viagem: minha esposa de NoRisk (já instalado) e eu com o LS2 Metro Evo (ainda passando por..."adaptações").
A jaqueta escolhida foi a Ventamax da Spidi.
Ela é uma semi-parca - termo criado por mim, viu? Com 4 bolsos dianteiros, um interno, forro impermeável removível. Ela aceita forro térmico que, sabe lá Deus pour quoi, não está disponível no Brasil. Aparentemente aqui não faz frio...Ela é bem ventilada, como as Spidi que eu já tinha e substituirá uma delas, que foi doada. Não é o tipo adequado para esta viagem, mas já adquiri várias camadas que farão seu trabalho a contento, acredito. Tenho segunda pele em 3 níveis diferentes e adquiri um fleece da Quechua que veste bem justo e poderá ser usado por baixo da jaqueta. Nunca tive problemas de frio nas pernas.

A calça escolhida foi a Spidi Thunder, com forro impermeável removível, bem parecida com a calça que eu já tenho. Veio com os protetores de quadril do mesmo lado, mas já pedi à Nova MotoStore que substituísse um deles, pois recebi com dois do lado esquerdo. 
Por fim, as botas. Eu queria muito um modelo de Gore-Tex da Gaerne, mas não encontrei na minha numeração. Na MotoSprint em São Paulo experimentei várias e acabei por escolher a Forma Voyage. Cano alto, com boa proteção e confortável, vai substituir bem a já saudosa Diadora.
Quanto às luvas, dois pares da Rev´It devem dar conta do recado.

A preparação da moto está assim: pneus trocados. Os Metzeler Tourance Next originais chegaram a 23.780 quilômetros. O dianteiro está ressecado e o traseiro quadrado. Não faz sentido - eu, pelo menos, não acho que faça - trocar um ou outro. Prefiro a troca em pares. Mesmo porque o traseiro, ainda bom para um uso urbano, teria que ser fatalmente trocado no decorrer da viagem, em algum ponto. Prefiro sair daqui com tudo zerado.

Antes

Depois
Antes
Depois
Amanhã Dory vai para sua revisão pré-viagem e veremos o que precisará mexer, além da troca de óleo e filtro. Vou pedir uma checagem geral, limpeza de corrente, verificação de estado do sistema elétrico, principalmente recarga da bateria, sistema de arrefecimento, etc.

As motos dos companheiros de viagem estão passando por revisões similares.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Andar de moto é perigoso. É?

Quem nunca ouviu essa frase quando o assunto moto vem à tona? Ela vem seguida da discussão clássica entre os que defendem esse maravilhoso veículo e aqueles que acham coisa de maluco.
Li um artigo recentemente assinado pelo Marcelo Barros, da revista Motociclismo, no qual ele trata  da importância da moto na mobilidade urbana. Ele diz que sempre que o assunto aparece alguém diz que é perigoso e então propõe outro ângulo para a discussão, que gira em torno do quanto se pode economizar em tempo e dinheiro quando se opta pela moto como meio de transporte numa cidade como São Paulo.  Tem seus riscos? Sim, claro. Mas quantas histórias já se ouviu de acidente envolvendo táxis, ou de gente que foi atropelada no ponto de ônibus, pelo próprio? E as vantagens, são muitas. Quem não gostaria de passar uma horinha que seja a mais com seu filho ou fazendo qualquer outra coisa?
Bem, o jornalista elencou as vantagens de tempo e dinheiro que a moto proporciona, num determinado conjunto de situações - vantagens inegáveis, diga-se de passagem.
Mas aí eu acabei matutando sobre esses e outros pontos.

Andar de moto, como qualquer outra coisa que se faça na vida, está sujeito a fatores sobre os quais temos algum controle e outros sobre os quais temos pouco ou nenhum controle. Para fins de argumento, digamos que não temos controle algum sobre esse segundo grupo de fatores.

Quando indagamos a esses receosos sobre o que eles acham perigoso na moto, as respostas vem na linha do "ah, é mais vulnerável, né?", ou "é fácil de cair", ainda que a pessoa nunca tenha subido em uma moto.  Veja que a primeira justificativa, a da vulnerabilidade, tem a ver com fatores sobre os quais não temos controle: um carro desgovernado, motorista distraído, etc.

E sobre o quê, exatamente, temos controle? Nosso nível de habilidade ao guidão, o tipo e estado do nosso equipamento de segurança, as condições mecânicas dos nossos veículos, nossa condição psicológica durante a condução. Em outras palavras, você pode controlar tudo o que diz respeito à sua segurança ativa e passiva. Dá para se machucar se um carro nos abalroar? Claro que sim, andar equipado não é solução definitiva, mas andar sem equipamentos é garantia de lesões graves, bem mais graves.
E quanto aos fatores sobre os quais não temos controle? Por que se preocupar se você não tem controle sobre eles? Se essa é uma boa justificativa para não andar de moto, também o é para não fazer um monte de outras coisas.
Não se preocupe com o que é imprevisível, mas prepare-se adequadamente, qualquer que seja o caso. E aí, voltamos ao que podemos controlar: pilotar sempre equipado, escolher bem os equipamentos, manter a moto em boas condições de rodagem, estar sempre atento a tudo à sua volta, concentrar-se na pilotagem. Moto é tão perigosa quanto viver. E ela não cai, o piloto é que derruba.
Keep on riding. Pilote sempre equipado.

#motociclismo #motocicleta #piloteequipado 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A primeira longa

Sei que para muitos 1000 quilômetros não pode ser considerada uma viagem longa. Entretanto, exige um bom grau de preparação, como qualquer viagem.
Esta teve um significado especial pois foi a primeira viagem longa (vem comigo, sem mimimi) da Bia, minha adorável melhor metade. E, foi também a mais longa feita com a Dory até agora. 
Decidimos passar o Natal em Pirapozinho/SP, onde vivem nossas famílias e resolvemos ir de moto.
São cerca de 1000 quilômetros que fizemos em dois dias.

ROTAS

Para a ida escolhemos ir por Uberlândia/MG e paramos para dormir em São José do Rio Preto/SP. Para evitar o trânsito das cidades satélites e do entorno do DF, saímos pela BR251 que vai de Brasília a Unaí/MG. Em seguida tomamos a DF130/GO436, conhecida na região como Estrada do Algodão. Esta nos leva direto até Cristalina/GO. De lá, tomamos a BR050. Depois de Uberlândia, via Prata/MG, pegamos a BR153. De São José do Rio Preto pega-se a SP425 (Assis Chateaubriand) até Pirapozinho.

Na volta foi tudo igual até Prata, mas seguimos na 153 até Goiânia, de lá BR060 até Brasília, e dormimos em Itumbiara/GO.

PREPARAÇÃO

A revisão da moto foi feita em outubro e, por essa razão, apenas verifiquei e lubrifiquei a corrente e completei os níveis de óleo e fluido de freios. Um exame rápido feito pelo Toninho constatou que as pastilhas ainda aguentariam esta viagem (foram trocadas no último fim-de-semana).
Fiz alguns testes com as malas e bolsas e a parte da bagagem foi completada com um par de tiras elásticas (Rok Straps) que prenderam a jaqueta impermeável durante toda a viagem. 
Preferi usar minha jaqueta Spidi ventilada em função do calor. Por isso levei a jaqueta da capa de chuva (Givi) presa à mala lateral para acesso fácil. A calça e as botas foram as mesmas velhas de guerra das últimas viagens (Spidi e Diadora). Serão trocadas este ano. Usei o Caberg Sintesi com intercomunicador.
O equipamento da Bia é todo novo: calça e jaqueta Rev´It, botas Forma, luvas X11 (mas ela acabou por usar as ASW de cross quase o tempo todo). O capacete dela é o NoRisk escamoteável no qual foi instalado o comunicador.
Para a bagagem, então, usamos: malas Givi Dolomiti de 36 litros cada, com bolsas internas; baú Givi de 47 litros com bolsa interna e bolsa de tanque com cacarecos de uso imediato.
Levei, ademais, spray de corrente e escova de limpeza, o kit de reparo de pneus com compressor e um jogo de cintas de bagagem (pequeno) da Givi, para uma eventualidade. 

A IDA

Saímos às 6:11 da manhã com a temperatura em torno de 21C. Com a jaqueta de verão sem forro, quase passo frio neste primeiro trecho. Consumo alto, belas paisagens e ritmo constante e bom. A primeira parada do dia foi no Sonho Verde.
A BR050 está muito boa, mas tem alguns trechos em obras, assim como a 153. Passar pelos pedágios foi tranquilo, pois a garupa lidou com os pagamentos. Com a média de consumo variando entre 17 e 19 km/l, acabei parando mais do que planejava. A primeira parada foi com meros 150 quilômetros rodados. Não sei o que fez a moto gastar tanto neste início. Depois melhorou chegando a marcar 20km/l. Uma parada mais longa foi feita no Posto Décio já chegando em Uberlândia. Aqui comemos e reabastecemos e fomos direto até Rio Preto, exceto por uma parada ali pelas bandas de Frutal, no posto de atendimento ao usuário da concessionária. Esta parada foi um pouco depois de um belo susto que tomamos, numa ultrapassagem. Meninos e meninas: só ultrapassem com segurança, não confiem em ninguém.

A partir deste ponto o calor se fez muito presente. Sentíamos o sol rachando. Não há alternativa a não ser enfiar a mão. Sabia que tínhamos o nojentíssimo trecho entre a fronteira de Minas e São Paulo e Rio Preto pela frente e não queria perder muito tempo ali. As obras de duplicação do anel viário em Rio Preto atrapalharam um pouco nossa chegada, mas chegamos. Cansados, com calor, mas inteiros. Levamos cerca de onze horas, com várias paradas e sem excessos de velocidade. Nosso ritmo ficou entre 100 e 115km/h. Em alguns curtos trechos puxei um pouco mais, mas a velocidade de cruzeiro ficou entre essas marcas aí. As melhores marcas de consumo foram atingidas nos trechos em que mantive em torno de 110km/h. Velocidades essas confortáveis para mim e para minha garupa. As várias paradas foram também previstas para que a Bia pudesse relaxar mais, pois apesar da almofada de gel sobre o banco comfort, ela ainda sentiu um pouco de dores. Sempre que possível, usei minhas pedaleiras extras fixas no protetor de carenagem, o que permitia que ela esticasse as pernas e viajasse apoiada nas minhas pedaleiras.
No hotel, um jeito rápido nas roupas encharcadas de suor, banho, jantar e cama.
Saindo do hotel em Rio Preto
No dia seguinte, saímos cedo. Abastecemos ainda na cidade e seguimos. 300 quilômetros até Pirapozinho. Este trecho aconteceu sem nenhum estresse e em 2h50´chegamos em casa.

Nos dias em que estivemos lá só andei na cidade e fomos a Presidente Prudente uma tarde.
Às vésperas da volta, ajustei e lubrifiquei a corrente. E só.

A VOLTA


Lá pelas 6:15 da manhã, tanque cheio, bagagem nos lugares, foma de estrada, largamos. Tínhamos cerca de 610 quilômetros pela frente, o que nos daria folga suficiente para fazer uma viagem tranquila. Mas, por alguma razão, a volta não rendeu tão bem.
Paramos a pouco mais de 100 quilômetros para tomar um café e completar o tanque. Logo depois de Rio Preto, outra parada para um lanche rápido. Depois do Prata o tempo começou a fechar e acabamos por pegar chuva e muito vento. Chegamos por volta das 15 horas em Itumbiara. Bia até chegou a sugerir que continuássemos até Goiânia, mas o vento estava forte e eu já sentia o cansaço. O que acabou sendo bom. A parada foi no Hotel Beira Rio, que recomendo.

Este hotel já existe há algum tempo mas está bastante bem conservado e é bem agradável. Nos colocaram em um quarto de frente para o rio e tivemos como observar o pôr-do-sol de camarote.




Depois de dar uma ajeitada nas roupas e descansar um pouco, descemos e "apoitamos" num restaurante de frente para o rio, onde comemos e jogamos conversa fora. A avenida Beira Rio é bastante agradável, exceto pelos barcos que ficam por ali nos fins-de-semana com música alta. Uma mui merecida noite de sono foi seguida por um bom café da manhã e pau na máquina.

De manhã, o dia prometia, mas o receio de chuvas em Brasília ainda nos assombrava.

O último trecho, de 400 quilômetros foi vencido em pouco mais de cinco horas. Chegamos em casa em torno de 12:30.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Erros que cometemos

Eu comentei no passado, no Peripatetices, sobre a viagem que fiz em 2012, de XJ6n. Naquela ocasião eu acreditava piamente que minha viagem estava super-planejada, que nada daria errado, seria tudo lindo, maravilhoso.
Bem não foi exatamente uma tragédia, não. Mas coisas deram errado.
Pequeno resumo: decidi ir para Rio das Ostras/RJ, de moto e sozinho, para o festival de jazz que acontece naquela cidade. Cerca de 1330 quilômetros de distância e um feriado prolongado. Comecei pelo equipamento. Já tinha jaqueta, calça, botas, luvas e capacete. Comprei alforges da Givi que vieram com capa de chuva removível. Já tinha bolsa de tanque também. A moto estava preparada, revisada e os planos todos em ordem. Sabia a hora de sair e a hora programada para chegar, fiz reservas em hoteis. Sabia que não queria de jeito nenhum passar pelo Rio de Janeiro, nem nas suas rebarbas. Sozinho, sem GPS e com moto grande eu seria alvo fácil caso errasse uma saída. Resolvi que iria pela serra, por Teresópolis, desceria por Magé e dali para Rio das Ostras um pulinho.
O que deu certo? Bem, a moto mostrou-se excelente na estrada; meu equipamento (à exceção das luvas "impermeáveis"), não fez água; o festival de jazz foi bacana; e a volta foi tranquila.
O que deu errado? Vamos lá.
Meu planejamento não levou exatamente em consideração o fato de que imprevistos acontecem. Pensei em chuva, pensei em trânsito, mas não pesei a distância. Deixei quase 800 quilômetros para fazer no segundo dia, em estradas de serra e áreas desconhecidas. E em vésperas de feriado prolongado...
Pois é, feriado prolongado. Só me dei conta disso para valer quando passei por Magé em direção à BR101. Lá me deparei com o monstruoso trânsito do feriado em direção à Região dos Lagos. Mas estava de moto e negociei rapidamente aquela lambança e me lancei em direção a Rio das Ostras. Mas perdi tempo pra caramba aqui e o cansaço cobrou seu preço mais tarde.
A chuva. Quando acordei no segundo dia e descobri que estava chovendo, permiti que meu ânimo caísse uns pontinhos. Nunca deixe que isso aconteça. Peguei trânsito monstro em BH, debaixo d´água e piorou depois, com a lama de minério na região de Barbacena. Fiz duas paradas neste trecho e numa delas notei que a água tinha entrado pelas capas dos alforges. Os alforges tinham um par de elásticos que teriam a função de mantê-los firmes junto da moto. Só que, com eles no lugar, a capa de chuva não "vestia" direito. E aqui a minha falta de atenção causou a entrada de água. Achei que os elásticos tinham que ficar no lugar e vesti as capas da melhor forma possível, não levando em conta a abertura que ficou do lado de dentro, exposta à água jogada pela roda traseira.  Deixei o desânimo tomar conta neste trecho e acabei perdendo muito tempo tentando tomar uma decisão. Decidi tocar e acabei chegando muito tarde e cansado a Rio das Ostras. A decisão certa teria sido assumir os erros, calcular bem o trecho que ainda restava e dormir por ali. Bastava ligar para a pousada e pedir para segurarem a reserva. Iria perder o primeiro dia do festival mas este era mais uma desculpa mesmo para viajar de moto. Eu teria seguido no dia seguinte, com tempo melhor, menos trânsito e chegaria antes do almoço com tranquilidade. 
Acho que o principal erro que cometi aqui foi o psicológico, o de me deixar abater, ainda que por pouco tempo. Como não conversei com nenhum amigo experiente antes, acabei acreditando que daria conta da distância. E ela não teria sido tão problemática se eu tivesse escolhido descer via Rio de Janeiro pela BR 040 e de lá pegar a 101. Mas como queria evitar a região metropolitana, achei melhor pegar a rodovia de serra, por Teresópolis. Foi bom e foi ruim. Uma melhor rota seria utilizada na volta, indo por Nova Friburgo.
Outro erro cometido foi não fazer paradas mais frequentes, o que eu tinha planejado. No decorrer da viagem, com os imprevistos, acabei por tocar e tocar e as paradas foram infrequentes. Nem fotos tirei. Logo eu, que fotografo tudo. Isso ficou mais aparente na volta. Toquei direto de Rio das Ostras até sair na BR040. Mais de 4 horas pilotando. E parei pouco no resto do dia pois percebi que tinha perdido tempo na serra e o tempo estava bom, apesar de que ventava muito. Toquei o pau e quando estava a 70 quilômetros de Caetanópolis o cansaço era quase insuportável. Parar para descansar não significa perder tempo na viagem, mas poupar seu corpo para passar mais horas pilotando. E nem precisa ficar muito tempo parado. Dez minutinhos já são suficientes. Coma um chocolate ou barrinha de cereal se não tiver outra coisa. Hidrate-se e estique os músculos. Revise o equipamento e reabasteça. Essas paradas estratégicas fazem maravilhas por você.
Outro erro foi com a bagagem. Não a escolha do alforge, mas do que levar. Como era comecinho de inverno, temi passar frio e acabei levando roupa demais. Desnecessário. De mais a mais, se faltar algo você sempre pode adquirir alguma coisa, a não ser que esteja no meio do nada, o que não seria meu caso. Com isso as malas ficaram pesadas e não se ajustavam direito na moto. No fim do primeiro dia, decidi reorganizar tudo e as coisas melhoraram um pouco. Naquela viagem eu ainda não tinha baú e o danado fez uma falta doida.
Finalmente, forma física. Andar de moto exige muito do físico, crianças. Então, faça exercícios, alimente-se direito durante a viagem e durma bem. Conheço gente que acha lindo dizer que fez 900 quilômetros num dia e que só parou pra abastecer. Só que você se desgasta e se desidrata de forma acelerada nessas condições e daí para desmaiar em cima da moto é um pulo. Não seja idiota.
Planeje, planeje, planeje. Mas deixe espaço para o inesperado.
Viaje sempre, viaje seguro.



sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Leis x civilidade

Ao me dirigir para o trabalho esta manhã, presenciei uma cena que se repete todos os dias. Há um retorno na avenida L2, com um semáforo. Quando não há trânsito, os carros que usam o retorno não esperam o sinal abrir, seguem como se nada estivesse acontecendo. Brasília tem câmeras, muitas câmeras, mas não naquele ponto. Aquele retorno permite acesso a uma importante área central e é muito utilizado. Não é o único lugar em que esse tipo de coisa acontece, obviamente, mas é sintomático do que vemos país afora. Apesar das reclamações de "indústria da multa" que muitos motoristas adoram fazer, no nosso país, cujo senso de civilidade anda tão combalido - senão moribundo - multar motoristas desobedientes parece ser a única saída.
Fico profundamente irritado quando converso com pessoas que estiveram recentemente em países como Canadá, Estados Unidos ou qualquer outro país da Europa, e são só elogios à organização do trânsito, à educação dos motoristas e aí seguem numa ladainha sobre como o brasileiro é mal-educado, como nosso país não tem jeito mesmo. São as mesmas pessoas que fazem manobras no trânsito sem sinalizar, que estacionam em local proibido com a desculpa de "é rapidinho", que furam o sinal vermelho porque "não vem carro mesmo".
É absurdo que o óbvio tenha que ser escancarado: as leis existem, você é que não as cumpre. Cinto de segurança foi tornado obrigatório por razões de segurança, mas só pegou quando multas começaram a ser aplicadas. Uso do capacete por motociclistas, mesma coisa. Uso de cadeirinha para crianças, idem (apesar que ainda vejo muuuuita gente andando com crianças soltas no carro, o que para mim é criminoso). Cinto de segurança para o passageiro? Respeito à capacidade de passageiros?
O brasileiro parece não ter noção de que trânsito organizado e respeito às leis diz mais a respeito dos próprios motoristas do que das autoridades responsáveis pelo trânsito. É uma questão de civilidade: respeito às leis. Na Europa não é preciso ficar avisando que o desrespeito a uma nova lei acarretará multa. O cidadão já sabe disso. Há muita discussão antes da aprovação de uma nova e mais abrangente regra, por isso, quando ela é implantada, parte-se do princípio que o cidadão já está a par dela e cabe a ele cumpri-la. Simples assim. 
Enquanto não for instalada uma câmera naquele retorno, para desespero dos apressadinhos, a irregularidade continuará a acontecer.
Certos desrespeitos são questão de mau aprendizado mesmo: ligar a seta somente no momento da manobra, por exemplo. Muito comum no Brasil, muito motoristas acreditam que é para constar, para, no caso de uma batida, ele poder dizer que ligou a seta. Antecipar-se no trânsito evita dissabores. O pisca serve para avisar a outros motoristas de suas intenções. Mesmo que seja uma simples mudança de faixa. Muitos carros hoje tem essa função na alavanca do pisca. Basta encostar que o pisca é acionado 3 ou 4 vezes, e serve para mudanças de faixa. Mas tem que ser utilizado ANTES que o motorista inicie a manobra.  
Ultrapassagens pela direita. Enquanto pensava nisso de manhã, imaginei se a proibição dessa manobra não seria um resquício dos tempos em que a maioria dos carros não tinham retrovisor no lado direito. A regra diz que a manobra é proibida, exceto se o carro a ser ultrapassado estiver indicando conversão à esquerda. Como ninguém faz uso correto do pisca, uma regra atrapalha a outra, percebe? É, não é fácil.
Resumindo: não adianta você ficar reclamando do DETRAN, da auto-escola, das multas, dos pardais. Se a regra existe e você tem conhecimento dela, obedeça. É assim que se faz um trânsito civilizado, com civilidade.
Dirija seguro. 

-- xx --

Para lembrar uma cantilena de uma campanha de trânsito do passado:  
"o carro é de lata
Você é de carne
 O carro amassa
Você morre"

Meio exagerado, mas dá para entender o sentido.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Fitness e viagens longas

Usei a expressão em inglês em sentido mais amplo que apenas o físico. Estar em boas condições físicas e mentais é essencial para encarar qualquer viagem. Não importa se você passará poucas horas pilotando ou várias semanas. Estar bem, realmente bem, é de suma importância. Lendo artigos lá e cá, acabei por compilar algumas dicas que acredito serem úteis para qualquer tipo de motociclista, em qualquer tipo de viagem. Não são dicas universais, nem tampouco são as únicas coisas a que se deve atentar em viagens, mas são pontos que podem fazer a diferença. Vamos lá:


1. Mantenha-se em forma. Não precisa se acabar na academia, nem fazer dietas malucas. Boa forma física significa resistência e rapidez de recuperação após dias difíceis. Isso quer dizer que você se cansará menos e, se tiver um dia "daqueles", um corpo em boa forma física se recuperará mais rápido. Boa forma física reduz a fadiga.

2. Alongue-se. Todo mundo conhece esta regra e tão pouca gente a coloca em prática. Quando você pilota, em qualquer distância, está usando músculos diferentes em relação ao seu dia-a-dia. Aprenda exercícios de alongamento, especialmente para pescoço, joelhos e pernas. Alongue antes, durante e depois de pilotar.

3. Mens sana in corpore sano. Isto é crucial, veja: em condições adversas ou não-familiares, você vai se concentrar mais. Quanto mais você se concentra, mas cansa e mais se estressa. Acostumar-se a dias longos pilotando ajuda a relaxar e a usar menos energia mental.  Estar em constante "estado de alerta" usa mais energia mental e causa cansaço mais rápido.


4. Preste atenção aos avisos. Quando estiver pilotando fora de estrada, em lama, cascalho, por exemplo, você se cansará rápido e seus braços ficarão doloridos de segurar o guidão. Qualquer indicação de desconforto é um aviso para fazer uma parada.


5. Experimente pilotar na chuva. Muita gente tem receio de pilotar na chuva, porque evita fazê-lo. Quando o faz é por pura necessidade e aí...dá-lhe tensão. Essa tensão significa gasto de energia, desconcentração e cansaço. Atente para seu equipamento pois, mesmo no verão, mãos molhadas significam mãos frias.

6. Pare para ir mais longe. Dê a si mesmo um tempo para descanso. Definitivamente, não tente acelerar em um trecho difícil, só para "passar logo" por ele. Um erro cometido nessa situação pode lhe custar muito caro. Planeje paradas em intervalos regulares. Pequenos descansos funcionam como "power naps", aquele cochilo de 5 minutos que às vezes damos no trabalho ou em viagens de carro. Dirigir por várias horas parando apenas para abastecer causará cansaço em demasia, que não dá para resolver com uma parada rápida. Já uma parada de 10, 15 minutos a cada duas horas (ou 200 quilômetros), com hidratação e a ingestão de algum alimento leve vai evitar que ocorra o cansaço acumulado.

7. Planeje seu dia. Calcule tempo extra para atrasos e imprevistos, além das paradas mencionadas acima. Nada pior do que pilotar com a pressão de estar atrasado ou de querer chegar logo.

8. Escolha e prepare bem seu equipamento. Sua roupa não deve causar calor, permitir que o frio se instale ou lhe deixar molhado. Faça passeios regulares equipado, antes da viagem, para se certificar de ter escolhido certo e para poder avaliar melhor seu equipamento.

9. Faça auto-avaliação. Está cansado após uma noitada? As condições vão estar mais difíceis por causa de neve, muita chuva, gelo ou areia? Está estressado porque não encontra seu telefone? Se sim, dê um passo para trás e respire fundo. Só parta se se sentir pronto para os desafios do dia.


10. Caso você esteja viajando com garupa, todas as dicas acima dobram de importância. Lembre-se: você é responsável pelo conforto e tranquilidade do garupa. Se ele estiver incomodado, vai incomodar você. Se ele estiver desconfortável, seja com o equipamento, com o assento, com o ritmo da viagem, isso afetará você diretamente. Certifique-se de que o garupa está confortável com seu equipamento e que tem noção real do que será a viagem. Combine sinais - caso não esteja usando intercomunicador - e intervalos de paradas. Não prossiga se seu garupa não se sentir bem. O garupa deve estar sempre atento ao que acontece à sua volta e ser capaz de antecipar uma ação do piloto. Uma boa interação entre os dois leva a uma maior confiança, o que leva a tranquilidade na viagem.

Viaje sempre. Viaje seguro. Ride on!