quarta-feira, 6 de julho de 2016

O Buraco na BR

O dia estava lindo. Céu azul, pouco vento. Um tantinho frio para as oito da manhã, mas corria tudo bem. Saímos de Araxá às 7:45 da manhã, em nossa viagem de volta a Brasília. Passaríamos por Patos de Minas, Paracatu, Cristalina, pela BR 040.
O trecho inicial de cerca de 230 quilômetros foi cumprido em duas horas. Esse ritmo forte acabou por ofuscar nosso melhor julgamento e acabamos errando o caminho não uma, mas duas vezes. O segundo erro aconteceu na BR365, entre Patos de Minas e Pirapora. Alguns colegas alegam ser impossível errar aquela saída, mas a verdade é que a sinalização de algumas estradas em Minas Gerais deixa muito a desejar. Como íamos em ritmo acelerado, acabamos passando batido pelo ponto em que teríamos que sair da 365 e tomar a 040.
A 365 tem buracos, mas apenas em alguns pontos. Nos demais, a estrada é muito boa e com longas retas.
Anderson, numa Ninja 250, disparou na frente e sumiu. Clau, na GS1200, vinha logo atrás de mim. Posicionei-me para ultrapassar uma carreta, mas recolhi ao deparar com veículos vindo na pista oposta. Ao recolher, acabei muito próximo à carreta e não tive tempo de desviar do buraco enorme, bem no trilho da esquerda.
No canto superior direito, a Branca, exatamente onde consegui parar.
Pela foto não dá para se ter noção da profundidade. A moto provavelmente "rampou" no primeiro buraco e aterrissou na quina do segundo, empenando as duas rodas - a dianteira chegou a rachar - causando o esvaziamento instantâneo de ambos os pneus.
Não sei como, mas consegui evitar uma queda, que teria sido violenta e com consequências nefastas. Credito isso à moto, muito estável, mesmo tendo ambos os pneus furados. A Branca bamboleou, dançou, pendeu para o lado do acostamento e vi a possibilidade real de me estabacar no matagal. Melhor que me estabacar na pista contrária. Como vinha a 90-100 km/h a moto ainda rodou bastante. Agindo instintivamente, acionei com cuidado ambos os freios e parei a moto.
Passado o susto, eis o resultado:
Roda dianteira
Roda traseira
O Clau se prontificou a buscar ajuda, já que o Anderson tinha sumido na frente. Dei a ele o cartão do meu seguro e aguardei. Clau contou com a enorme boa vontade dos funcionários de uma empresa, não muito longe dali, que permitiram que ele utilizasse o telefone para acionar o socorro. Antes disso, Anderson tinha parado para nos esperar e voltou para aguardar o resgate comigo.
A Sul América Seguros acionou um serviço de resgate em Pirapora, que chegou rapidamente. Enteguei a Branca e minha bagagem (o baú com minhas roupas, trancado e a bolsa de tanque). E voltamos para Brasília. Eu, na garupa da GS1200 do Clau.
Tínhamos acrescentado muitos quilômetros à nossa viagem e o tempo perdido seria impossível de recuperar.
Felizmente, foram apenas danos materiais. A Branca foi trazida para Brasília pela mesma empresa que fez o resgate (Marcelo Reboques, de Pirapora/MG, excelente), onde aguarda orçamento, vistoria e reparos na concessionária Saga Moto, de Taguatinga.
Lições aprendidas? Pelo menos duas: sempre se questione acerca da rota, principalmente se não estiver utilizando o GPS (e mesmo se estiver) ou mapa. E nunca, jamais, posicione-se próximo demais do veículo à frente.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Branca

Chegou a hora da revisão dos 40 mil quilômetros.
Com a Kishi temporariamente fora de combate e a Saga com um posto de serviço na Asa Norte, busquei entre meus amigos uma indicação de um bom mecânico para submeter a Branca à revisão de 40 mil. Não gosto muito do serviço da Saga então nem a considerei.
Meu amigo Cesinha me indicou o mecânico dele, o Toninho, sujeito boa praça e com 30 anos de experiência. Na sua oficina, vi raridades como duas Indian dos anos 30 e uma Yamaha XS 650 Turbo, do começo dos anos 80, além de uma Z1000, todas do mesmo proprietário.
Não é segredo para ninguém que concessionárias não fazem muito além das revisões básicas. Ninguém desmonta a moto toda.
Mas foi exatamente isso o que o Toninho, e o Luis, seu escudeiro, fizeram: desmontaram a branca toda. Rolamentos de roda foram engraxados, a corrente foi completa e profundamente limpa. O mesmo rolou com os corpos da injeção, completamente cobertos por fuligem - nunca haviam sido limpos. Num dos dias que por lá passei, o Luis se ocupava de limpar o painel da moto, aproveitando o estado de desmontagem parcial da Branca. Pedi também que ele desentortasse o suporte do baú, danificado na queda que relatei em um post anterior.
Ao fim de uns dez dias, Toninho devolveu a moto com filtros, óleo e velas trocados. A lâmpada do farol tinha queimado de novo - o que acho que aconteceu lá, mas não polemizei - também foi trocada, além do fluido das bengalas e do cabo de embreagem, que já chegava ao fim da regulagem. Vale lembrar que este era o da Fazer 250, trocado na revisão de 20 mil quilômetros. Ainda estava em ótimo estado, apesar de esticado. O original não durou 20 mil. Custa R$ 98,00 mas é impossível de encontrar para pronta entrega. O da Fazer custa R$ 110,00. Algo de muito errado aqui, dona Yamaha.
Pedi que fizesse uma limpeza profunda do sistema de arrefecimento, o que foi feito. Em 5 mil quilômetros faremos a limpeza de novo, pois daria pra fazer motocross em tanta borra que saiu do sistema.
Assim, Branca saiu renovada, com corpinho de 5 mil, aos 40 mil quilômetros.
Enquanto a Branca ficou no estaleiro, enviei uma peça de cordura que minha mãe, hábil com máquinas de costura, transformou em uma bolsa de ferramentas, no mesmo tamanho e desenho da original, mas com parede dupla, mais resistente, pois a original, produzida em lona, estava toda furada.
Next, reparo do paralamas e pintura da lateral do motor e da rabeta. 

Back in business

Então, com o mistério do Borges resolvido - era apenas o carburador seco - rodei um tanto com ele, esperando a hora de levar pro mecânico para uma merecida revisão.
Boas e más notícias: o carro está ótimo. O sr. José Alberto, mecânico de VW a ar lá do Guará, elogiou o carro e sugeriu que eu o pintasse. Não entendeu ou curtiu muito quando eu disse que pretendia apenas tirar os pontos de ferrugem e deixar o carro meio ratão, mantendo a mecânica em ordem que é o que interessa. Não trocou as velas. Disse que estavam ainda em bom estado e que, como não tinha conseguido remover uma delas, preferiu não forçar. Melhor fazer isso quando for resolver a outra má notícia.
Eu lhe pedi que verificasse um vazamento de óleo. Segundo ele, só tirando o motor para resolver, mas não me disse exatamente qual é o problema. Assim, quando for tirar o motor, remova também as velas, caso precise retificar alguma coisa.
Vontade de estrangular o cara que colocou a vela desse jeito.
No mais, Borges segue bem. Surgiu um barulho incômodo na porta do motorista, que pretendo investigar. Ainda quero mandar produzir novas laterais de porta, com novos ganchos. Mas isso vai ficar mais para a frente, pois ainda não mandei arrumar a trava do banco do motorista. Acho que vou acabar trocando a peça toda.
Próximo serviço, então, provavelmente vai ser a remoção dos pontos de ferrugem na lataria. Para isso vou pesquisar entre proprietários para encontrar um bom (e honesto) funileiro.
Como diz o grande Milton Leite: segue o jogo! 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Não pegou!

Borges já está há mais de 4 meses parado.
Ao partir em viagem de trabalho inflei os pneus, enchi o tanque e desliguei a bateria. Lavado, coloquei uma capa e fui embora.
Retornei dia 12 de dezembro e no dia seguinte religuei a bateria e...nada. Bem, tinha carga, o motor de arranque girou sem problemas, mas nem sinal de partida.
Fui protelando, protelando e resolvi dar uma olhadela mais atenciosa dia desses. Descobri que a mola do eixo do abafador do carburador estava quebrada. Ao pisar no acelerador o mecanismo não era acionado - o que pode explicar a ausência de cheiro de gasolina.
Agora preciso adquirir as molas e tentar trocá-las. E torcer para o Borges pegar, pois com a chuvarada que está caindo em Brasília está fazendo uma falta danada. Assim que ele pegar, vai para a tão adiada revisão.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Freios

O dia está fantástico. Você se sente fantástico. Sua moto está fantástica. Tudo funcionando bem, o motor ronrona macio, as suspensões absorvem as imperfeições do asfalto. De repente, do nada, surge uma velhota num Clio e você tem que fazer alguma coisa. A mão direita procura o manete enquanto o pé direito afunda o pedal. E nada acontece. Um momento de tensão enquanto aquele velho clichê da sua vida passando toda na sua frente num segundo. Aí você sente o tranco, acorda e bem a tempo desvia da velhota no Clio.
A situação acima poderia ter acabado muito mal se o tal "tranco" não tivesse vindo. O que parece muito tempo no texto, na verdade foi fração de segundo, tempo que levou para os freios entrarem em ação.
Parece brincadeira, mas é muito comum que algo tão importante num veículo como os freios seja levado tão pouco a sério. Contei aqui sobre a atualização que promovi nos freios da Branca.
Mas sabia que mangueiras, principalmente as mais comuns, de borracha, devem ser trocadas a quatro anos, com problemas ou não? E sabia que é melhor trocar o fluido de freio a cada dois, menos se o uso for intenso? Pois é, mas quem faz isso?
Freios, dissequemo-los. Sistemas modernos de freios funcionam assim: há um reservatório de fluido no guidão. Junto dele, uma bomba que é acionada pelo manete. Essa bomba pressuriza o fluido, que desce pela mangueira até a pinça. Na pinça o fluido empurra o pistão (ou pistões) que por sua vez fazem um atrito danado contra o disco. Nos freios a tambor, a força vez por um varão ou cabo que aciona as sapatas - ou lonas - contra a face interna do tambor. Sistemas diferentes, mesmo efeito. O hidráulico a disco, muito mais eficiente, é hoje o mais comum. Não entremos em discussões alongadas sobre ABS e outras modernices.
Bombas. Não há muito o que fazer sobre elas. Mangueiras ou dutos. Estes sim. Se você se deu ao trabalho de ler a história cujo link incluí ali no começo saberá que a Branca é equipada originalmente com dutos de borracha. Esses dutos podem ser fabricados com malhas de kevlar e outras coisas do tipo. A borracha cede com o uso. Entenda que a pressão ali dentro pode chegar a 150PSI, dependendo da moto e do sistema. É muita pressão, por isso elas cedem com o tempo. Já as mangueiras recobertas com malhas de aço, também conhecidas como aeroquip, cedem bem menos, assim o mesmo sistema equipado com mangueiras distintas, terá desempenho igualmente distinto, com muitos pontos a favor do sistema com malha de aço.
Muito bem. E é só? Não. O fluido pode ser DOT 3, 4 e até 5, se bem que este último é o menos utilizado por ser muito específico e não trazer benefício algum para o usuário comum. Fluidos, de acordo com sua composição podem ser hidrofílicos (atraem água ou umidade) e hidrófobos (que fazem o contrário). O que se quer na verdade é evitar ao máximo que entre água no sistema. O fluido tem um ponto de ebulição altíssimo, para aguentar a pressão. Quando tem água ou umidade demais o ponto de ebulição dele cai, o fluido ferve e o freio...não freia. A sensação de freio borrachudo é na verdade o fluido fervendo e perdendo sua capacidade de fazer pressão. Isso se dá por aquecimento do disco, que aquece a pastilha, que aquece a pinça, que aquece o fluido, sacou?
Quando isso acontecer, não há muito o que fazer a não ser parar e esperar esfriar.
Pinças. Essas podem ser de pistão simples, duplos, triplos. E podem ser de montagem axial ou radial. A de montagem axial é a mais comum, mas a de montagem radial a mais eficiente. Como identificá-las? Simples. Se os parafusos de fixação estiverem paralelos ao disco, você está diante de uma pinça radial. Radial porque está no sentido do raio da roda, capisce? Se os parafusos estiverem perpendiculares ao disco, você está diante de uma pinça axial, ou seja, montada no sentido do eixo. As pinças radiais são mais comuns em motos mais modernas e caras. A ciência por trás disso é que a pinça de montagem radial é mais precisa, pois está melhor alinhada com os discos e flexiona menos sob as enormes pressões exercidas.
Em suma, meu caro leitor e amigo (espero), mantenha seus freios em ordem e revisados se você não quiser virar ornamento de Clio de velhota.

sábado, 3 de outubro de 2015

Procurando encrenca

É fácil não dar importância às suas habilidades visuais. Não dá para ter olhos preguiçosos quando sua sobrevivência depende de informação essencial chegando rapidamente ao seu cérebro. Olhos sempre em alerta total ajudam a evitar falhas e a manter pequenos problemas pequenos. O quão eficiente suas habilidades visuais são pode significar a diferença entre um pequeno aborrecimento, um "quase" assustador e uma tremenda queda.
Fixar o olhar à frente distraidamente não é o bastante. Você deve procurar pelos perigos agressivamente antes que eles encontrem você. Olhe de lado a lado, perto e à distância, acima e abaixo para identificar motoristas erráticos e superfícies suspeitas. Ao se aproximar de curvas, busque por pistas que ajudem a identificar o raio da curva. E não se esqueça de checar nos espelhos rapidamente e dar aquela olhadela por sobre os ombros, para monitorar seus pontos cegos antes de mudar de faixa. A parte difícil é priorizar os perigos a fim de evitar prestar atenção demais a problemas relativamente pequenos e deixar de lado os perigos mais sérios.
Sobreviver no trânsito significa estar atento às pistas sutis que podem indicar problemas, como os movimentos de braços e cabeça dos motoristas e flashes de luz do sol sobre vidro ou metal cromado de veículos virando. Mantenha seus olhos se movimentando como um radar, procurando por qualquer coisa que não pareça certa.
Use sua visão periférica para monitorar obstáculos próximos enquanto mantém sua visão à frente e aberta. A visão ampla (grande angular) lhe dá a melhor chance de identificar o inimigo ao mesmo tempo em que reduz a ansiedade da velocidade, diminuindo visualmente a paisagem que passa. À medida em que a velocidade aumenta, olhe mais à frente para que você tenha tempo e espaço suficientes para lidar calmamente com os problemas.
Você não tem como identificar perigos se não tiver uma visão clara adiante, assim evite colar no veículo da frente e escolha posições na pista que proporcionem a melhor visão das curvas e dos veículos ao redor. Não somente isso vai permitir que você veja melhor, mas também que os outros vejam você.
Seus olhos não servem apenas para coletar informações mas tem também um papel-chave na hora de fazer sua moto seguir a trajetória desejada. A essa tendência chamamos de "controle visual de direção". Olhar para onde você quer ir é dizer para seu cérebro e seus músculos irem para lá.
O controle visual de direção é ótimo para ajudar a direcionar sua motocicleta em curvas, mas é igualmente útil quando você precisa desviar de obstáculos. Certifique-se de olhar para onde quer ir porque fixar a atenção demasiadamente ao perigo vai fazer com que você vá direto para ele. Isso é chamado de fixação de alvo. Quando surge o perigo, evite o magnetismo negativo da fixação de alvo, olhando para a saída da curva ou rota de escape, em vez de focar no guardrail ou obstáculo.
A maioria dos acidentes solo ocorrem quando um piloto entra em uma curva rápido demais (para sua capacidade) e se assusta. Muitas vezes a moto poderia ter facilmente contornado a curva, mas não o fez porque o piloto desistiu e olhou derrotado para a margem da estrada. Globos oculares não podem direcionar fisicamente uma moto, mas seu foco visual torna clara sua intenção de inclinar mais e completar a curva.


Ao fazer uma curva, deixe que seus olhos examinem da entrada ao ápice até a saída enquanto mantém um campo amplo de visão. "Engate" seus olhos à frente, de um alvo visual para o próximo, a fim de mapear uma rota que forme uma curva suave. Olhe para baixo, se necessário, para verificar perigos potenciais na superfície da estrada, mas retorne seu olhar e atenção para a frente através da curva. Porque você está virando, seus olhos vão naturalmente seguir um padrão de busca diagonal "para cima e para baixo, longe e perto".
Às vezes certas condições atrapalham nossa capacidade de enxergar. Diminua quando as condições do tempo, a luminosidade que diminui, o brilho do sol ou o cansaço impedirem que você enxergue longe o bastante à frente. E lembre-se, seus olhos e reflexos envelhecidos podem não ser tão precisos como costumavam ser, por isso pilote de acordo.
Ser visualmente vigilante vai tornar você mais seguro e confiante. Manter suas habilidades visuais afinadas é uma das melhores maneiras de ser um piloto mais seguro e competente.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Barbeiragem e covardia

Ontem o dia foi desagradável. Ao retornar para minha moto ao fim do expediente, reparei que ela estava estacionada meio torta. De cara achei que algum motofretista tinha mexido nela para poder parar a sua moto. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que alguém tinha batido nela e se mandado. Pior que isso, eu a tinha estacionado junto à guarita de entrada do estacionamento do Palácio do Itamaraty, supondo que ali estaria segura. Para minha surpresa, o vigia disse nada ter visto.
O sujeito bateu na moto pela esquerda, quebrando o paralama,
a moto inclinou-se e acabou apoiada no baú contra a guarita, o que amorteceu a queda, evitando maiores prejuízos. No entanto, o suporte do baú entortou e o próprio baú ficou todo arranhado pelo contato com a guarita.



 Minha moto estava estacionada mais ou menos onde se vê essa CG aí acima. Na guarita (acima e abaixo), dá para ver as marcas que o baú deixou.
Parece mesmo muito estranho que o vigia não tenha visto nada. Nem ouvido. Provavelmente foi movido pelo receio de ser chamado como testemunha. Ou conhece quem bateu na moto.
Mais do que o prejuízo financeiro fica a frustração, a raiva, um sentimento de invasão. Se o sujeito tivesse deixado um telefone, talvez eu nem cobrasse dele os R$ 965,00 que vai custar para substituir o paralama.  Como a franquia do seguro é quase o dobro disso, vou ter que arcar com o prejuízo e sem saber ainda como vou desentortar o suporte do baú.