quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Avaliação: Caberg Hyper X

Estou usando meu novo capacete há somente um dia, mas acho que já tenho condições de fazer uma pequena análise. Usei como referência para a compra a avaliação feita em 2011 pelo pessoal da WebBikeWorld, eles raramente me deixam na mão.
De cara me surpreendi com o peso da caixa, parecia menos que os 1.450g anunciados. De fato, o capacete parece bem mais leve que isso. Encomendei o tamanho 56, mas o que é enviado é 55. Ambos equivalem a tamanho S (pequeno). Ele é importado pela Taurus, tradicional fabricante de capacetes e armamentos brasileira. O capacete veste justo, mas não incomoda. Ele é diferente do que estamos acostumados. À primeira vista parece um capacete integral normal, mas basta uma atenção aos detalhes que dá para ver que tem algo mais aqui. Ele é do tipo modular, sua queixeira é destacável, o que o transforma em capacete do tipo jet, ou aberto.
O acabamento é primoroso, a pintura não apresenta falhas e o encaixe das peças - que não são poucas - é muito bom. O esmero na construção é evidente. O formato causa um pouco de estranheza, pois ele é bem..."redondo" se visto de frente. A grande área aberta, somada à queixeira preta, dá uma impressão de ser muito maior do que realmente é. E é ao colocá-lo pela primeira vez, que sentimos a primeira diferença. Como a queixeira é compacta, temos de cara a impressão de que o capacete é aberto. O campo de visão é amplo, muito mais que a maioria dos capacetes, mesmo alguns jets.
A queixeira sai levantando-se as duas alavancas vermelhas, vistas na foto acima. Detalhe bacana é que os encaixes são assimétricos. É possível destacar parcialmente o lado direito, para permitir colocá-lo na cabeça com mais facilidade. Não tenho problemas quanto a isso, mas usuários mais cabeçudos terão.
O estofamento é de material muito macio e agradável ao toque.
O encaixe é muito bom, sente-se o capacete justo e firme. A viseira grande e espessa (2,2mm) vai até quase a base da queixeira. Ela tem destaque fácil, bastando alinhar duas setas, uma na viseira e outra no encaixe, e deslizar um botão. Detalhe bacana são as vedações de borracha, que fazem muito bem seu trabalho. Elas estão na parte superior, de uma lateral à outra e na queixeira, em toda a sua largura.
Na parte interior há duas etiquetas vermelhas que indicam que este capacete permite o uso de óculos, o que não tentei.
Na parte superior encontramos o botão deslizante de abertura da ventilação, que é muito boa. Há duas saídas na parte de trás. Há ainda o acionamento da viseira solar.

Botão deslizante que aciona a viseira solar
 
A viseira desliza com facilidade e vai para ela o único senão desta avaliação: a borda inferior, no meu caso, quando a viseira está abaixada, fica bem na linha de visão do painel da moto, dificultando um pouco sua visualização.
Veja como a viseira principal fecha bem o capacete, mesmo na configuração jet:
Há pequenos detalhes que denotam o cuidado com o acabamento. A etiqueta lateral onde vai o nome "Caberg" e as duas onde se lê "Hyper X" são metalizadas. A viseira, aliás, fica firme no lugar, mesmo sem a queixeira, graças a uma pequena trava que fica nas laterais.
O ruído é baixo. Não há queixeira, e isso gera uma pequena turbulência na área de baixo do capacete, entre o queixo e o pescoço, mas nada de preocupante. Talvez exija um improviso ou o uso de uma boa balaclava, em dias mais frios.
Na foto acima, perdoem a qualidade, nota-se o compartimento lateral para o encaixe de comunciador Bluetooth. Essa aba sai, abrindo um bom espaço para encaixe de equipamento dedicado, fabricado pela própria Caberg, que assim fica mais bem instalado, sem se destacar demais. Outra boa sacada da Caberg. As peças plásticas pretas são de acabamento preto fosco e sem rebarbas. 
Resta agora fazer um teste em estrada, a velocidades mais altas, para se confirmar ou não o conforto deste capacete. Até agora tem-se mostrado muito bom de usar, combinando leveza com baixo ruído.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Hora de trocar de capacete

Qual a hora certa de trocar de capacete? Conheço gente - muita gente - que usa o capacete até o coitado começar a se desfazer. Está errado. Segundo os fabricantes - não há muito consenso - o capacete deve ser usado por no máximo cinco anos, mesmo que ele não tenha sofrido quedas, graves ou não. Isso se deve à perda natural da capacidade de absorção de choque dos materiais usados no fabrico. Óbvio que um capacete feito de fibra de carbono, em tese, pode durar mais que um de fibra ou plástico injetado. De qualquer forma, meus capacetes nunca atingiram esse limite. Pelo menos não na minha cabeça. E nunca joguei fora, sempre vendi para trocar. Foi assim com os dois primeiros, da LS2 e foi assim semana passada com o AGV K3 e o Zeus 806, com o qual fiz as duas grandes viagens de moto da minha vida. Até agora, pelo menos.
O AGV tinha sido anunciado várias vezes, mas gerou pouco interesse. Assim, com o anúncio publicado, acabei por desistir de vendê-lo. Quando estávamos em Cambará do Sul recebi um telefonema de um sujeito interessado. Disse que não queria mais vender e ficou por isso mesmo. Quando voltei para Brasília, outro me ligou interessado. Igualmente disse que não estava mais à venda. Ele estava anunciado por R$ 400,00. Segunda-feira passada outro sujeito me liga perguntando direto qual o preço mínimo que eu faria. Com pouca paciência e já prevendo que o sujeito diria "pô, faz por cenzinho" ou algo do gênero, mandei R$ 250,00. E não é que o cara topou? Pegou o capacete naquele dia mesmo.
Embalado com a venda, decidi de ímpeto anunciar o Zeus também, por meros R$ 180,00, com a viseira reserva que, sozinha, custa R$ 120,00. Vendi em menos de duas horas. Daí me pus a fuçar a internet atrás de um substituto. Vou ficar com dois capacetes em lugar dos três que eu tinha até semana passada. O primeiro da lista é o LS2 FF396:
Esse capacete é negociado entre R$ 740,00 e R$ 790,00. Tem a versão branca como a da foto e outras com decoração discreta, nada de pinturas "tribais". Com viseira solar e pesando cerca de 1.450g casa bem com o uso que eu pretendo dar a ele.
Mas aí, na fuçação internética, topei com esta belezura aqui:
Esse é o Caberg Hyper X. Ele é do tipo modular, bem avaliado em testes, Modular significa que esse modelo é dois em um. A queixeira sai, transformando o capacete num do tipo jet. Segundo o site Web Bike World (ver link acima), ele foi muito bem avaliado em ambas as configurações. O que acontece com esse tipo de capacete é funcionar bem numa configuração e medianamente na outra. Isso não acontece com o Caberg. Desenvolvido e fabricado na Itália ele vem com viseira solar interna, bom nível de ruído, ventilação excelente (de acordo com os americanos do site WBW), mesmo não dispondo de entrada na queixeira. A viseira, de 2,3mm, por sua vez, fica firme no lugar mesmo sem a queixeira, pois ela fica acomodada em um trilho, visível na lateral do capacete, próximo das alavancas vermelhas de liberação da queixeira. O modelo dispõe de preparação para intercomunicados, disponibilizado pela própria Caberg também.


No Brasil esse modelo é encontrado por preços variando entre R$ 880,00 e R$ 990,00. Salvo qualquer imprevisto, esse deve ser o escolhido para proteger minha honorável cabecinha pelos próximos quatro ou cinco anos.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Serras do Sul: outros "personagens"

Todo mundo tem manias. Eu sou cheio delas. Quando viajo, e o faço há um bom tempo, aprendi a ter certas coisas na bagagem, mesmo que não use. Meu velho e bom canivete suíço, por exemplo.
Nesta viagem, além do canivete suíço, levei a multi-ferramenta Leatherman também.
Mas vamos aos outros "personagens":
meu capacete Zeus 802, fiel escudeiro, responsável por manter minha cara longe do vento e minha cabeça inteira,
não é o mais leve do mercado, mas é muito confortável, apesar de um tanto ruidoso. Ganhou viseira nova para a viagem. Dá para ver na foto um parafuso metálico, na peça de encaixe da viseira, onde deveria ter um parafuso plástico. A peça caiu em algum momento, em Urubici. Numa loja de parafusos pedi algo na mesma medida e, por R$ 0,25 consegui esse substituto, devidamente serrado.
Perfex. Presente em toda cozinha desse mundinho velho sem porteira. Levei um na viagem e ele limpou malas, capacete e viseira, botas, calças, jaquetas e o que mais precisasse de uma limpezinha. Limpa bem, fácil de lavar e de secagem rápida, na parada em São José do Rio Preto, o pobrezinho estava assim:
sem uma boa fatia lateral, ele ainda teria utilidade quando a corrente da Branca caiu, já perto de Brasília e precisei sujar a mão para recolocá-la. Ele ainda serviu de calço para a tampa do ralo da banheira, em casa, quando lavei a jaqueta. Acabou no lixo depois disso. Tenha sempre um à mão.
A cada vez que tirava esse kit da bolsa eu olhava para as carinhas risonhas e zombeteiras dos meus companheiros de viagem. Levei dois. Um ainda é o produto original e o outro foi enchido com Cif Vidros e Acrílicos, que uso em casa normalmente, para limpar viseiras e monitores. O paninho é de microfibra e vai tudo dentro desse estojinho. Um bom borrifo e bye bye sujeira, mosquitos e poeira.
Faço sempre uma assepsia ao fim de cada dia. À esquerda o Tira Cheiro para capacetes e jaquetas. É anti-bactericida e serve para manter o mau-cheiro causado por bactérias longe. O Tenys Pé Baruel, jato seco, eu uso em tudo: segunda-pele, meias, sapatos, luvas, jaquetas. Ambos servem para uma assepsia básica, se não der para lavar a roupa e os equipamentos.
Meu tablet Samsung. Ganhou essa cicatriz de guerra no primeiro dia de viagem. Vai ser reparado hoje. Ainda nesse estado foi possível postar os relatos diários da viagem e fazer uma navegação básica. Ele continha também páginas do Guia 4 Rodas escaneadas. Que acabei não usando.

Meu Diário de Bordo. Esse mesmo bloco de notas foi usado na viagem a Rio das Ostras em 2012, para escrever os posts que mais tarde publiquei no blog. Desta vez foi usado para anotar os abastecimentos. Tenho sempre um bloquinho comigo. Em qualquer viagem.
Além desses "equipamentos", ainda levo uma pequena coleção de medicamentos básicos, do tipo que se precisa sempre que não dá para procurar uma farmácia.
Não tenho fotos dele aqui, mas levei um mini-tripé Manfrotto, que foi usado em algumas fotos. Ele é igual a este:
Pequeno, compacto e prático, principalmente para uso com câmeras compactas.
Esses pequenos, mas importantes objetos, foram instrumentais no dia-a-dia dessa fantástica viagem que fizemos.
Inté.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Serras do Sul: números e fatos

Alguns números desta fantástica viagem: 5.525 quilômetros rodados. 244,51 litros de gasolina (ou coisa parecida) consumidos pela Branca, média de 22,6 km/l. Total gasto com combustível: R$ 738,98 ao preço médio de R$ 3,02/litro.
Em outra nota, sem querer puxar a brasa para a minha sardinha, devo dizer que a Branca confirmou tudo o que eu já sabia sobre ela. O 600cc quadricilíndrico é um motor cheio de saúde, torcudo e que quase não exige uso do câmbio para apresentar bons desempenho e retomadas. Nessa viagem levei cerca de 15 quilos nos alforges e 4 no baú. Não alterei o ajuste da suspensão traseira e não foi necessário. Na volta, num trecho de serra de pavimentação deficiente (ondulada) ela chacoalhou um pouco. Mas bastou tirar a mão para que as coisas se normalizassem. Na ida, no trecho entre Apiaí e Curitiba, de cerca de 160 quilômetros e 2.977 curvas, ela se portou magnificamente.
A sequência quase interminável de curvas judiou da mão direita, mas a XJ6 seguiu impávida. O consumo foi alto nesse trecho, em torno de 19 km/l, porque simplesmente não usei o câmbio, percorri quase todo o trecho em sexta marcha. Poucas motos conseguem fazer isso. Lógico que não eram retomadas de fazer saltar os olhos, mas de maneira alguma eram chochas.
Cometi alguns erros nessa viagem. Entre eles, o principal foi não cuidar da corrente ao fim de cada dia. O resultado disso é que ela chegou a Curitiba muito judiada. Seca, cheia de pontos de ferrugem e com uma folga enorme. No fim da viagem, a corrente chegou a cair, quando passei por um trecho de terra cheio de solavancos. A corrente, assim, desgastou-se, em 5.500 quilômetros, o equivalente aos quatro anos anteriores de uso, inclusos aí a viagem de quase três mil quilômetros a Rio das Ostras. Não cometerei esse erro novamente.
Os Metzeler Z8 são muito bons. Comportaram-se de maneira exemplar, nunca dando sustos. Apresentaram desgaste mínimo e confirmaram sua escolha como acertada.
O pequeno "raid" em que acabamos por nos meter, a caminho de Cambará, cobrou seu preço: apesar da condução cuidadosa, facho baixo do farol e o retentor da bengala esquerda deram adeus. O primeiro resolveu-se com a substituição da lâmpada por R$ 23,00. O segundo deu mais trabalho.
Em toda a região de Caxias do Sul - estávamos em Gramado - somente uma concessionária, a Motolax de Bento Gonçalves tinha a peça. Uma unidade. O reparo todo saiu por R$ 300,00, inclusos os R$ 60,00 do retentor. Menos mal que o atendimento do pessoal da concessionária foi show. Ao Leonardo, Luis e o mecânico cujo nome só me lembro que começa com J, meus agradecimentos. Eles ajustaram a corrente, perceberam que faltava um parafuso no cobre-corrente, lavaram a moto na faixa e ainda deram uma geral nas correntes da Transalp e da F800GS.
Ontem ela saiu da revisão, que custou R$ 595,00 na Kishi Motos, de Brasília. A corrente, apesar de ter permitido um último ajuste, está um lixo. Barulhenta, vibrante, vai ter que ser trocada logo.
Minha conclusão é que a XJ6 é sim uma moto boa de estrada. Num mundo ideal, eu teria uma carenada para viagens, equipada com cruise control, tomada 12V e aquecedor de manoplas. Ela não precisa muito mais que isso.
Os alforges deram conta do recado, não fizeram água. A XJ exige algum jeito na acomodação, mas nada que atrapalhe. Seguiram firmes e não atrapalharam. São ainda mais fáceis de limpar que os de lona, tradicionais, pois seu material é liso.

A bolsa interna do baú, da mesma forma, foi ótima. Levei nela coisas de que eu não precisaria o tempo todo. Assim, ela só foi retirada nas paradas a partir de Curitiba e até Gramado. Na volta, ela permaneceu no baú o tempo todo.

Só para comparação, três motos com motores distintos (dois cilindros paralelos na BMW, dois cilindors em V na Transalp e quatro em linha na XJ) e pilotos de estaturas diferentes, apresentaram os seguintes consumos médios:
Yamaha XJ6n: 22,6 km/l (aferidos)
BMW F800GS: 21,8 km/l (aferidos)
Honda XLV700 Transalp: 18,5 km/l (achômetro, pois o Cesinha não anotou esses dados).
A Transalp foi a que levou mais peso e ainda garupa no trecho Curitiba - Gramado.
Bem parelho, considerando as diferenças, em estilos de pilotagem inclusive.
Quase chegando

Quase saindo, com os escoltas Silvio, Fabrino e Aluizio
That´s all folks!

domingo, 17 de agosto de 2014

Serras do Sul até agora: Branca com louvor

Acho que a esta altura já dá para fazer uma avaliação da Branca nesta viagem. Estamos nos aproximando da metade da viagem e só tenho elogios para minha valente XJ6. Bem, há um único porém, que é a falta de proteção aerodinâmica, mas isso já era sabido além de ser característica comum a todas as naked. Com média até agora de 21km/l, está um tiquinho abaixo do esperado. Isso se deve principalmente aos trechos de maior velocidade, nos quais enfrentamos muito vento. Essa situação de vento para mim é especialmente incômoda, tanto quanto a falta de proteção para as mãos, sobretudo nos dias mais frios. O acessório que trava o acelerador vem bem a calhar nessas horas. Ontem foi o dia mais sui generis. Queimou o facho baixo do farol logo cedo e depois, por um equívoco, acabamos pegando 40km de estradade terra. Tenso, mas correu tudo bem e ningué caiu. Branca percorreu o trajeto sem problemas, mas me deu muita pena. Ao retornar ela irá imediatamente para a revisão dos 30.000km, na Kishi Motos.

sábado, 9 de agosto de 2014

Simbora!

Malas na moto. Tudo pronto. Daqui a pouco, partida para o ponto de encontro e de lá, direto, até Ribeirão Preto. O dia está ótimo, um pouco frio, mas ensolaradíssimo. Vamo que vamo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

5 dias

Quase na hora de partir. Sábado, 9 da manhã. Parece que não vai chegar nunca. De qualquer modo, Branca está revisada, só faltando uma lavada e uma cuidadosa limpeza e lubrificação da corrente. Hoje começo a separar a bagagem e a bolar a distribuição nas bolsas.