segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Uruguay 2019 pt. 1

Quilometragem final
7.143 quilômetros rodados, de acordo com o odômetro da Dory. Essa foi a quilometragem total nesta viagem que teve calor, frio, vento, excelentes estradas, outras nem tanto.

Não farei um relato dia a dia, mas um apanhado das experiências. 
Usei a hashtag advtravel no Instagram (@toncassiano), mas isso é discutível. Alguns por aí diriam que viagem de aventura significa sair do asfalto, cair em estradas difíceis, terrenos complicados e locais inacessíveis (ou quase). Sou mais democrático. Se você é daqueles que raramente viajam e encaram qualquer viagem como aventura, seja feliz. 

Nossa programação previa mais ou menos 7000 quilômetros, aferidos via Google. Saímos pouco do programado pois os passeios eram todos próximos dos locais que escolhemos para pernoites. E mesmo nesses locais, demos preferência para passeios a pé. Exceção a ser mencionada foi a ida a Fray Bentos, quanto estávamos em Paysandu.
Tentei manter o controle dos abastecimentos, mas depois que entramos na Argentina, acabei abandonando a prática, então não terei números precisos para apresentar.
A saída de Brasília aconteceu às 8:30 da manhã do dia 10 de agosto. Nosso roteiro previa pernoite em Araçatuba, a cerca de 840 quilômetros de Brasília. Nada fora do programado aconteceu, e a rota, nova para mim, mostrou-se interessante. Boas estradas, belas paisagens, calor. 
Rio Grande, na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo - MG426/SP543
                               
Eu, César e Marcelo
         
Uma ocorrência comum nesta viagem foram as poucas paradas para fotos, que explicarei mais tarde. Mais próximo de Araçatuba, no fim da tarde, passamos pelo rio Tietê, que nos brindou com este show:
                           

Ficamos no Hotel Íbis Araçatuba, que recomendo. No ranking "Chuveiros da Viagem", figura no top 3. À noite, a fome e a sede foram aplacadas com uma ida ao Peixe Frito, uma ótima opção na cidade.

O dia seguinte previa 747 quilômetros e uma parada em Pirapozinho para um alô lá em casa, afinal era domingo, dia dos pais.
A parada foi rápida, tempo apenas para beijos e um papo rápido regado a café e quitutes. Aproveitei para fazer um sanduba para comer mais tarde.
Mamis, papis, eu e Marcelo em foto tirada pelo César.
O dia, que começou fresco, rapidamente descambou para um calorão daqueles e as camadas de roupa foram parando no baú. Boas estradas, pedágios caros, sol e nosso companheiro inseparável da viagem, a partir de Maringá: o vento.
As garupas, Bia e Marília, já estavam em Foz, nos esperando.
Chegamos à tarde, mega-cansados, com muito calor. Em Foz o hotel escolhido foi o San Juan Eco Hotel, confortável, com bom chuveiro - até aqui, ainda no top 3 - e ótima localização, não muito longe do parque das Cataratas. Longe do centro, no entanto. Achá-lo deu um pouco de trabalho pois nosso GPS, montado na moto do Marcelo, insistiu em se perder. À noite, na companhia do Elton, irmão do Marcelo, que mora em Ciudad del Este, fomos à Martignoni Pizzaria, rodízio, bem ao lado do Hells Dog, que também nos tinham recomendado.
Nossa programação previa uma parada de duas noites em Foz. No domingo, passeios às Cataratas, à Usina de Itaipu e ao Marco das Três Fronteiras. Vejamos algumas fotos:

Photo by Marilia



Photo by Marilia

Photo by Marilia
Terça-feira, dia 13. O destino é Paso de los Libres, na Argentina, distante cerca de 640 quilômetros. Este seria o maior trecho a ser feito com garupas. O dia começou fresco, mas o vento nos pampas argentinos ajudou a fazer com que a temperatura despencasse. Este foi um dos dias mais frios da viagem.
Ponto positivo são as estradas, muito boas. Pegamos a Ruta 12 até Posadas e de lá tomamos a Ruta 14. Motos não pagam pedágio, um alívio depois do assalto que foram os pedágios no estado do Paraná. O primeiro entrevero da viagem aconteceu neste trecho quando fomos fechados por um caminhão que deveria entrar numa área de pesagem mas desistiu no último momento, quando já passávamos por ele. As placas eram do Paraná.
No fim da tarde, semi-congelados e muito cansados, finalmente Paso de los Libres. Acabamos por ficar em hoteis distintos. Cesar, Marilia e Marcelo escolheram o Imperial e eu e Bia ficamos no Millenium. Nossa escolha foi mais feliz, apesar do chuveiro sem pressão. Negócio de família, Edgard e Silvia (se minha memória não me trai) foram muito receptivos e extremamente simpáticos. D. Silvia até conseguiu uma garagem no vizinho da frente onde pude estacionar a Dory.
À noite jantamos no Restaurante Casino Rio Uruguay. Local bastante tradicional, mas de boa comida e bom atendimento. 


A quarta-feira amanheceu fria, mas a previsão era de ligeira elevação ao longo do dia. A travessia para Salto, no Uruguay, foi super-tranquila. Os funcionários da imigração uruguaia já davam uma amostra do que seria a viagem dali para a frente. Todos muito simpáticos. Marcelo começou a fazer sucesso aqui, quando um monte de gente pediu para tirar fotos com sua moto.




A travessia é feita sobre a barragem de Salto Grande (foto abaixo). Este trecho, de 274 quilômetros guardava a tensão pela aproximação com a província de Três Rios, notória pela ganância de seus policiais. Não tivemos problemas em ponto algum da Argentina. Passamos por vários pontos na estrada, policiados, e só recebíamos acenos e nos mandavam seguir viagem.


Salto, cidade e capital do departamento de Salto, distante a 498 quilômetros de Montevidéu, tem hoje cerca de 104.000 habitantes, de acordo com o Censo de 2011.
Muito agradável, tem um quê de cidade pequena. Tem uma rua central de comércio com calçadas largas, praças e uma "costera", passeio à beira do rio, arborizado, com vários locais para se curtir a paisagem com tranquilidade.








O restaurante do Salto Hotel Y Casino resolveu o problema para os jantares. O restaurante La Trattoria nos atendeu muito bem no almoço.
De Salto a Paysandu, nossa próxima parada, são apenas 120 quilômetros. Em Paysandu passaríamos duas noites, pois há várias outras cidades para se visitar na região.

Talvez sem o mesmo charme de Salto, Paysandu guarda resquícios de um passado rico, evidenciado pela arquitetura presente no centro histórico, que nos pareceu carente de projetos de revitalização. Maior e mais populosa que Salto, concentra igualmente atividades náuticas e uma "costera" bem realizada e assiduamente frequentada, principalmente nos fins de tarde, onde se pode apreciar cenas como estas:


Já o Centro Histórico mostra alguns sinais de abandono, apesar da riqueza arquitetônica:





A avenida principal deste bairro, aliás, chama-se Avenida Brasil.




Entre Mercedes, Nuevo Berlin e Fray Bentos, o interesse maior era por esta última.
Aqui, o Frigorífico Anglo (no Brasil, entre outros produtos, tínhamos as salsichas tipo viena, enlatadas), que durante décadas moveu a economia da cidade e ajudou a impulsionar as exportações uruguaias, virou atração e museu e hoje exibe o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, concedido pela UNESCO. Passei, na minha opinião, imperdível.







Acima, a estranha calmaria das águas do rio Uruguay.
Próxima parada: Colonia del Sacramento.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Cirurgia no Nolan N87: instalando o Cardo Packtalk Bold

Até ontem eu ainda tinha dúvidas sobre qual capacete usar na viagem para o Uruguai, que começa no próximo sábado, a propósito.
O LS2 Metro Evo mostrou-se excessivamente barulhento, tive dificuldades em instalar o comunicador e estava prestes a tomar decisões ligeiramente drásticas quando resolvi investir em mais um capacete. Tenho três no uso atualmente.
Entra em cena o Nolan N87. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas eu precisava ficar mais de uma hora com ele direto na cabeça. O Bell Qualifier que usei no ano passado apertava minha cabeça (no topo) feito uma morsa. E essa característica aparecia depois de um certo tempo de uso contínuo. Como o Nolan estava vestindo bem justo, resolvi que precisava testá-lo para ter certeza. Se não desse certo, estava preparado para instalar o Cardo no Caberg Sintesi e viajar com ele, porque já tinha praticamente descartado o LS2, pelo barulho.
Lá fui eu, novamente, para mais um teste de estrada. O resultado foi bastante satisfatório. Voltei para casa com uma dor nas mandíbulas, que atribuo à tensão, não ao capacete. No fim de 300 quilômetros e pouco mais de 3 horas, concluí que dá para ir com ele na viagem.
Em casa, mais tarde, pus-me a desmontar o capacete para começar a instalação. O N87 tem preparação para sistema de intercomunicador dedicado. Depois de assistir um vídeo sobre sua instalação, vi que era possível remover o acabamento, o que expõe o caso e o isopor, na parte de trás, o que facilita a instalação e a passagem dos fios.
O balde de água fria veio quando percebi que os fones não cabiam no nicho criado para eles, um recesso em plástico, encaixado no isopor.
Veja como o fone não encaixa.

Essa peça plástica é presa por 3 parafusos tipo broca que, curiosamente, são torx. Exato, para quê simplificar, né?

Fiquei já pensando que teria que desmontar o Caberg e instalar o intercom nele. Mas aí...
A peça é presa em três pontos. Resolvi levantar uma parte dela e verificar se o fone encaixaria no isopor, ligeiramente maior que esse compartimento de plástico. Com um pouco de jeito, o fone entrou, bem justo, o que dispensou o uso de fita dupla-face ou velcro.
Assim que constatei isso, removi as duas peças e, com uma mini-retífica, cortei os recessos fora e reinstalei as peças de plástico.


Com isso, os fones estão assentados no isopor e serão protegidos pela forração interna. O microfone foi preso à queixeira e falta apenas determinar a posição final do suporte, bem como a passagem dos fios. Uma pequena abertura que existe para permitir a instalação do comando do intercomunicador original ajudará a passar os fios, sem precisar muita invenção.
No fim, os fios e conectores ficaram bem acomodados nos espaços vazios do capacete. O sfios que saem da base passaram pela tampinha que cobre o local onde ficaria o controle do intercom dedicado. Um pequeno corte nessa tampinha permitiu a passagem dos cabos e um bom acabamento.


O recesso dos fones é fundo o suficiente e, aparentemente, não influirá em termos de conforto no uso de protetores auriculares. Vou considerar, no futuro, uma cobertura extra dos fones, talvez com um pedaço de neoprene ou espuma fina.

#viagemdemoto #Nolan #Caberg #Triumphmotorcycles #mototurismo #motoadv #Cardosystems
#Tiger800

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Novo capacete. De novo.

´Dia, povo.
Capacete novo, de novo? Sim, de novo. O Bell Qualifier DLX, no fim das contas, não deu certo. Após cerca de seis meses tentando, optei por me desfazer dele. Caso alguém tenha interesse, procura lá no Enjoei que o preço tá joinha. Está anunciado no OLX também.
A viseira Transitions funcionou legal, mas acabei vendendo separadamente.
O que deu errado? Bem, o formato do casco, basicamente. Aperta horrorosamente no topo da cabeça, nas laterais. A ponto de eu não conseguir passar mais do que 30 minutos direto com ele na cabeça sem começar a sentir. Relendo análises na internet, principalmente a da WebBikeWorld, vi a observação que preferi ignorar: compre um número acima, pois ele tem a tendência a apertar. A mesma indicação sobre o Scorpion que cogitei importar. Resolvi abreviar minha experiência com o bom e barato Bell. Eu poderia tê-lo trocado por um 58 e aproveitado a viseira e tudo bem, só que preferi aproveitar a oportunidade e mudar de estilo de capacete.
A escolha recaiu sobre o tipo de capacete atualmente preferência entre 7 de cada 10 proprietários de moto "adventure", ou "big trails" ou qualquer outra nomenclatura que indique motos do estilo da Tiger, GS, etc: capacetes que tem estilo "off road", mas escamoteáveis e com viseira solar.
E o escolhido da vez foi este:
LS2 Metro Evo Rapid FF324, nessa combinação branco/vermelho.
Não comprei pela internet desta vez, mas na Dany Motos, tradicional loja localizada em Taguatinga/DF. Consegui um ótimo preço pelo capacete (R$ 980,00), bem melhor do que a maioria das lojas online e eles tinham não apenas variedade de grafismos como de tamanho, envergonhado outras lojas de Brasília que só trazem tamanhos maiores e na cor preta. Estamos muito mal de lojas de acessórios aqui, devo dizer. A Dany Motos, entretanto, se não é páreo para lojas de SP, dá show em variedade, preço e, sobretudo, atendimento.
Como a maioria dos LS2 atualmente, o Metro Evo Rapid é muito bem construído e bem acabado. Faço ressalva apenas para a viseira e a pala. A viseira parece ter o sistema de acionamento muito frágil, mole. Mas quando fechada não compromete pois é espessa. Andar com ela aberta, é garantia de barulho. Outra coisa que me decepcionou foi a pala. É muito flexível e vibrou demais com o vento, chegando a fazer meus olhos tremerem, atrapalhando a condução. É possível removê-la, no entanto. O desengate rápido da viseira exige que a pala esteja removida.
Primeira impressão é de barulho alto por causa da pala. A impressão que tive nas primeiras voltas é  de que o ruído seja causado na área de encaixe.
Quanto à vibração, pretendo utilizar algum método para enrijecer a pala. Se der certo, postarei o processo aqui.
Acabamento muito bom, veste justo e firme. A cinta jugular é larga e confortável, a fivela do fecho micrométrico é de metal, mais comum em capacetes mais caros.
O acionamento da viseira solar é feito por botão deslizante, mas não há sistema de mola para recolhê-la, o que seria preferível, mas complicaria o sistema.
O casco, disponível em 3 tamanhos diferentes, é feito em KPA (Kinetic Polymer Alloy) e pesa cerca de 1600 gramas.
Interessante é a compatibilidade com o novo sistema Linkin RidePal III, da Sena. O módulo de comando e a bateria são encaixados em pequenos bolsos na própria cinta jugular. Veka mais aqui no site da Revzilla.

Fico por aqui, por ora. Voltarei com um update quando tiver utilizado mais o capacete. Neste sábado partirei para o interior de SP com minha adorada melhor metade (primeira viagem longa dela) e postarei algo sobre essa viagem após nosso retorno.
Inté.

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ATUALIZAÇÃO
Desisti, ao menos por ora, de usar a pala. Muito barulho e vibração para pouco benefício. A pala só é útil com o sol a pino. Do meio da tarde para frente, ou no comecinho da manhã, com o sol baixo, não faz efeito algum. Ainda não descartei a ideia de reforçá-la, de alguma forma.
Assistindo a um video do viajante holandês Pedro Mota, notei que ele passou a utilizar este mesmo capacete. Preocupou-me o fato de que ele precisou retornar à loja para repor o parafuso que prende a queixeira, viseira e pala, que se soltou. Bom ficar de olho. Provavelmente foi a vibração que fez o parafuso se soltar. Em alguns momentos, no vídeo, dá para notar a vibração.
Fora isso, o capacete é confortável, apesar de barulhento e "ventoso".

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ATUALIZAÇÃO, pt. II
Comprei outro capacete. Fiz mais um teste com o LS2, com o intercom e protetores auriculares. Na ida, 130km sem os protetores. Pude ouvir a música com clareza, mas o barulho do vento era ensurdecedor. Na volta coloquei os protetores. A música quase desapareceu sob os próprios e o barulho do vento.
Há uma entrada de vento pelo lado esquerdo, que não faz muito sentido. Mas é por ali que consegui finalmente passar os fios do sistema. O controle fica um pouco para trás porque os escamoteáveis modernos abrem uma boa porção da queixeira e fica pouco espaço para instalar o intercom. Este, por sua vez, é um baita de um tijolo e só faz aumentar o barulho.
"Garrei" a pensar e comecei a considerar a aquisição de um capacete fechado. Bati um papo com um amigo e quaaaaase fechei negócio num Shoei GT-Air. Ele conseguiria o capacete por R$ 2.500,00, uma bela grana, contra os R$ 2.980,00 que custa no Brasil.
Dei para trás no negócio e continuei a considerar o sofrimento e encarar a viagem com o LS2 ou inverter tudo de novo e usar o Caberg, sensivelmente mais silencioso.
Fuça daqui e dali, comecei a olhar os capacetes da Nolan. O N87 me pareceu uma boa opção, por menos de 2 mil. Dei aquela olhadela básica no site da WebBikeWorld e vi que o danado, lançado mundialmente em 2016, ainda é fabricado com algumas melhorias, mas essencialmente o mesmo (ótimo) capacete.
Negocia daqui e dali, e a galera da Nova Moto Store conseguiu um preço bacana pelo capacete branco, já com Pinlock original. Arriscado, pensei, lembrando da experiência com o Bell.
O N87 é bem leve, fabricado em Policarbonato - Lexan, pesa cerca de 1350g. Suas entradas de ar funcionam bem, a viseira solar tem boa cobertura e o campo de visão é amplo. O capacete é novo e veste justo. Em algum momento devo fazer um teste de várias horas, para verificar se o problema que tive com o Bell não se repetirá. Como está agora, tenho a opção de abraçar o LS2 e encarar a viagem com barulho alternando desconforto, passar o intercom para o Caberg no que seria provavelmente a primeira e última grande viagem dele, ou passar o intercom no apagar das luzes para o Nolan e ver no que dá.
Veremos.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Corredor de los Pájaros Pintados 2019

Está chegando a hora de mais uma viagem. A preparação está adiantada e a ansiedade começa a mostrar sua carota.
Depois de descartar uma ida à fantástica Carretera Austral por conta do tempo necessário para essa viagem - coisa que muita gente não tem sobrando - decidimos por um roteiro mais próximo. Numa matéria há não muito tempo, li sobre o Corredor de los Pájaros Pintados, no oeste do Uruguai, fronteira com a Argentina.  Esse roteiro foi instituído há alguns anos como rota turística oficial, pelo órgão de turismo uruguaio, principalmente em função da diversidade.
Bem verdade que boa parte desse roteiro deve ser mais interessante em meses mais quentes, mas isso não nos desanimou. Serão 20 dias ao todo, saindo de Brasília em 10 de agosto e retornando no dia 30. O trajeto será de cerca de 7000 quilômetros e incluirá as seguintes cidades: Araçatuba, Foz do Iguaçu, Paso de los Libres (ARG), Salto, Paysandu, Colónia del Sacramento, Montevideo e Punta del Este (URU), Bagé, Gramado, Urubici, São Francisco do Sul, Registro e Ribeirão Preto. Algumas dessas cidades serão apenas paradas para pouso. Salto e Paysandu são cidades no Corredor e servirão de base para passeios na região. Muitas das atividades, como eu disse, são mais bem aproveitadas no verão, pois incluem muitas atividades náuticas nos rios da região. Mas todas as cidades têm algum interesse histórico e, no frigir dos ovos, o que queremos é rodar.

Inicialmente com seis motos e um tricilo CanAm, o grupo se viu reduzido a três motos - com uma quarta ainda a confirmar. Serão duas GS 1200 e uma (ou duas) Tiger 800. As garupas começarão a viagem em Foz do Iguaçu e terminarão em Curitiba. Bem, duas delas. A terceira se juntará ao grupo em Gramado.

Concentrei o começo da preparação na aquisição de equipamentos. Jaqueta, calça e botas novas, mais intercomunicador decente (Cardo Packtalk Bold). Esse ainda está dando um pouco de dor-de-cabeça para ficar bem instalado nos capacetes que vamos usar na viagem: minha esposa de NoRisk (já instalado) e eu com o LS2 Metro Evo (ainda passando por..."adaptações").
A jaqueta escolhida foi a Ventamax da Spidi.
Ela é uma semi-parca - termo criado por mim, viu? Com 4 bolsos dianteiros, um interno, forro impermeável removível. Ela aceita forro térmico que, sabe lá Deus pour quoi, não está disponível no Brasil. Aparentemente aqui não faz frio...Ela é bem ventilada, como as Spidi que eu já tinha e substituirá uma delas, que foi doada. Não é o tipo adequado para esta viagem, mas já adquiri várias camadas que farão seu trabalho a contento, acredito. Tenho segunda pele em 3 níveis diferentes e adquiri um fleece da Quechua que veste bem justo e poderá ser usado por baixo da jaqueta. Nunca tive problemas de frio nas pernas.

A calça escolhida foi a Spidi Thunder, com forro impermeável removível, bem parecida com a calça que eu já tenho. Veio com os protetores de quadril do mesmo lado, mas já pedi à Nova MotoStore que substituísse um deles, pois recebi com dois do lado esquerdo. 
Por fim, as botas. Eu queria muito um modelo de Gore-Tex da Gaerne, mas não encontrei na minha numeração. Na MotoSprint em São Paulo experimentei várias e acabei por escolher a Forma Voyage. Cano alto, com boa proteção e confortável, vai substituir bem a já saudosa Diadora.
Quanto às luvas, dois pares da Rev´It devem dar conta do recado.

A preparação da moto está assim: pneus trocados. Os Metzeler Tourance Next originais chegaram a 23.780 quilômetros. O dianteiro está ressecado e o traseiro quadrado. Não faz sentido - eu, pelo menos, não acho que faça - trocar um ou outro. Prefiro a troca em pares. Mesmo porque o traseiro, ainda bom para um uso urbano, teria que ser fatalmente trocado no decorrer da viagem, em algum ponto. Prefiro sair daqui com tudo zerado.

Antes

Depois
Antes
Depois
Amanhã Dory vai para sua revisão pré-viagem e veremos o que precisará mexer, além da troca de óleo e filtro. Vou pedir uma checagem geral, limpeza de corrente, verificação de estado do sistema elétrico, principalmente recarga da bateria, sistema de arrefecimento, etc.

As motos dos companheiros de viagem estão passando por revisões similares.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Andar de moto é perigoso. É?

Quem nunca ouviu essa frase quando o assunto moto vem à tona? Ela vem seguida da discussão clássica entre os que defendem esse maravilhoso veículo e aqueles que acham coisa de maluco.
Li um artigo recentemente assinado pelo Marcelo Barros, da revista Motociclismo, no qual ele trata  da importância da moto na mobilidade urbana. Ele diz que sempre que o assunto aparece alguém diz que é perigoso e então propõe outro ângulo para a discussão, que gira em torno do quanto se pode economizar em tempo e dinheiro quando se opta pela moto como meio de transporte numa cidade como São Paulo.  Tem seus riscos? Sim, claro. Mas quantas histórias já se ouviu de acidente envolvendo táxis, ou de gente que foi atropelada no ponto de ônibus, pelo próprio? E as vantagens, são muitas. Quem não gostaria de passar uma horinha que seja a mais com seu filho ou fazendo qualquer outra coisa?
Bem, o jornalista elencou as vantagens de tempo e dinheiro que a moto proporciona, num determinado conjunto de situações - vantagens inegáveis, diga-se de passagem.
Mas aí eu acabei matutando sobre esses e outros pontos.

Andar de moto, como qualquer outra coisa que se faça na vida, está sujeito a fatores sobre os quais temos algum controle e outros sobre os quais temos pouco ou nenhum controle. Para fins de argumento, digamos que não temos controle algum sobre esse segundo grupo de fatores.

Quando indagamos a esses receosos sobre o que eles acham perigoso na moto, as respostas vem na linha do "ah, é mais vulnerável, né?", ou "é fácil de cair", ainda que a pessoa nunca tenha subido em uma moto.  Veja que a primeira justificativa, a da vulnerabilidade, tem a ver com fatores sobre os quais não temos controle: um carro desgovernado, motorista distraído, etc.

E sobre o quê, exatamente, temos controle? Nosso nível de habilidade ao guidão, o tipo e estado do nosso equipamento de segurança, as condições mecânicas dos nossos veículos, nossa condição psicológica durante a condução. Em outras palavras, você pode controlar tudo o que diz respeito à sua segurança ativa e passiva. Dá para se machucar se um carro nos abalroar? Claro que sim, andar equipado não é solução definitiva, mas andar sem equipamentos é garantia de lesões graves, bem mais graves.
E quanto aos fatores sobre os quais não temos controle? Por que se preocupar se você não tem controle sobre eles? Se essa é uma boa justificativa para não andar de moto, também o é para não fazer um monte de outras coisas.
Não se preocupe com o que é imprevisível, mas prepare-se adequadamente, qualquer que seja o caso. E aí, voltamos ao que podemos controlar: pilotar sempre equipado, escolher bem os equipamentos, manter a moto em boas condições de rodagem, estar sempre atento a tudo à sua volta, concentrar-se na pilotagem. Moto é tão perigosa quanto viver. E ela não cai, o piloto é que derruba.
Keep on riding. Pilote sempre equipado.

#motociclismo #motocicleta #piloteequipado 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A primeira longa

Sei que para muitos 1000 quilômetros não pode ser considerada uma viagem longa. Entretanto, exige um bom grau de preparação, como qualquer viagem.
Esta teve um significado especial pois foi a primeira viagem longa (vem comigo, sem mimimi) da Bia, minha adorável melhor metade. E, foi também a mais longa feita com a Dory até agora. 
Decidimos passar o Natal em Pirapozinho/SP, onde vivem nossas famílias e resolvemos ir de moto.
São cerca de 1000 quilômetros que fizemos em dois dias.

ROTAS

Para a ida escolhemos ir por Uberlândia/MG e paramos para dormir em São José do Rio Preto/SP. Para evitar o trânsito das cidades satélites e do entorno do DF, saímos pela BR251 que vai de Brasília a Unaí/MG. Em seguida tomamos a DF130/GO436, conhecida na região como Estrada do Algodão. Esta nos leva direto até Cristalina/GO. De lá, tomamos a BR050. Depois de Uberlândia, via Prata/MG, pegamos a BR153. De São José do Rio Preto pega-se a SP425 (Assis Chateaubriand) até Pirapozinho.

Na volta foi tudo igual até Prata, mas seguimos na 153 até Goiânia, de lá BR060 até Brasília, e dormimos em Itumbiara/GO.

PREPARAÇÃO

A revisão da moto foi feita em outubro e, por essa razão, apenas verifiquei e lubrifiquei a corrente e completei os níveis de óleo e fluido de freios. Um exame rápido feito pelo Toninho constatou que as pastilhas ainda aguentariam esta viagem (foram trocadas no último fim-de-semana).
Fiz alguns testes com as malas e bolsas e a parte da bagagem foi completada com um par de tiras elásticas (Rok Straps) que prenderam a jaqueta impermeável durante toda a viagem. 
Preferi usar minha jaqueta Spidi ventilada em função do calor. Por isso levei a jaqueta da capa de chuva (Givi) presa à mala lateral para acesso fácil. A calça e as botas foram as mesmas velhas de guerra das últimas viagens (Spidi e Diadora). Serão trocadas este ano. Usei o Caberg Sintesi com intercomunicador.
O equipamento da Bia é todo novo: calça e jaqueta Rev´It, botas Forma, luvas X11 (mas ela acabou por usar as ASW de cross quase o tempo todo). O capacete dela é o NoRisk escamoteável no qual foi instalado o comunicador.
Para a bagagem, então, usamos: malas Givi Dolomiti de 36 litros cada, com bolsas internas; baú Givi de 47 litros com bolsa interna e bolsa de tanque com cacarecos de uso imediato.
Levei, ademais, spray de corrente e escova de limpeza, o kit de reparo de pneus com compressor e um jogo de cintas de bagagem (pequeno) da Givi, para uma eventualidade. 

A IDA

Saímos às 6:11 da manhã com a temperatura em torno de 21C. Com a jaqueta de verão sem forro, quase passo frio neste primeiro trecho. Consumo alto, belas paisagens e ritmo constante e bom. A primeira parada do dia foi no Sonho Verde.
A BR050 está muito boa, mas tem alguns trechos em obras, assim como a 153. Passar pelos pedágios foi tranquilo, pois a garupa lidou com os pagamentos. Com a média de consumo variando entre 17 e 19 km/l, acabei parando mais do que planejava. A primeira parada foi com meros 150 quilômetros rodados. Não sei o que fez a moto gastar tanto neste início. Depois melhorou chegando a marcar 20km/l. Uma parada mais longa foi feita no Posto Décio já chegando em Uberlândia. Aqui comemos e reabastecemos e fomos direto até Rio Preto, exceto por uma parada ali pelas bandas de Frutal, no posto de atendimento ao usuário da concessionária. Esta parada foi um pouco depois de um belo susto que tomamos, numa ultrapassagem. Meninos e meninas: só ultrapassem com segurança, não confiem em ninguém.

A partir deste ponto o calor se fez muito presente. Sentíamos o sol rachando. Não há alternativa a não ser enfiar a mão. Sabia que tínhamos o nojentíssimo trecho entre a fronteira de Minas e São Paulo e Rio Preto pela frente e não queria perder muito tempo ali. As obras de duplicação do anel viário em Rio Preto atrapalharam um pouco nossa chegada, mas chegamos. Cansados, com calor, mas inteiros. Levamos cerca de onze horas, com várias paradas e sem excessos de velocidade. Nosso ritmo ficou entre 100 e 115km/h. Em alguns curtos trechos puxei um pouco mais, mas a velocidade de cruzeiro ficou entre essas marcas aí. As melhores marcas de consumo foram atingidas nos trechos em que mantive em torno de 110km/h. Velocidades essas confortáveis para mim e para minha garupa. As várias paradas foram também previstas para que a Bia pudesse relaxar mais, pois apesar da almofada de gel sobre o banco comfort, ela ainda sentiu um pouco de dores. Sempre que possível, usei minhas pedaleiras extras fixas no protetor de carenagem, o que permitia que ela esticasse as pernas e viajasse apoiada nas minhas pedaleiras.
No hotel, um jeito rápido nas roupas encharcadas de suor, banho, jantar e cama.
Saindo do hotel em Rio Preto
No dia seguinte, saímos cedo. Abastecemos ainda na cidade e seguimos. 300 quilômetros até Pirapozinho. Este trecho aconteceu sem nenhum estresse e em 2h50´chegamos em casa.

Nos dias em que estivemos lá só andei na cidade e fomos a Presidente Prudente uma tarde.
Às vésperas da volta, ajustei e lubrifiquei a corrente. E só.

A VOLTA


Lá pelas 6:15 da manhã, tanque cheio, bagagem nos lugares, foma de estrada, largamos. Tínhamos cerca de 610 quilômetros pela frente, o que nos daria folga suficiente para fazer uma viagem tranquila. Mas, por alguma razão, a volta não rendeu tão bem.
Paramos a pouco mais de 100 quilômetros para tomar um café e completar o tanque. Logo depois de Rio Preto, outra parada para um lanche rápido. Depois do Prata o tempo começou a fechar e acabamos por pegar chuva e muito vento. Chegamos por volta das 15 horas em Itumbiara. Bia até chegou a sugerir que continuássemos até Goiânia, mas o vento estava forte e eu já sentia o cansaço. O que acabou sendo bom. A parada foi no Hotel Beira Rio, que recomendo.

Este hotel já existe há algum tempo mas está bastante bem conservado e é bem agradável. Nos colocaram em um quarto de frente para o rio e tivemos como observar o pôr-do-sol de camarote.




Depois de dar uma ajeitada nas roupas e descansar um pouco, descemos e "apoitamos" num restaurante de frente para o rio, onde comemos e jogamos conversa fora. A avenida Beira Rio é bastante agradável, exceto pelos barcos que ficam por ali nos fins-de-semana com música alta. Uma mui merecida noite de sono foi seguida por um bom café da manhã e pau na máquina.

De manhã, o dia prometia, mas o receio de chuvas em Brasília ainda nos assombrava.

O último trecho, de 400 quilômetros foi vencido em pouco mais de cinco horas. Chegamos em casa em torno de 12:30.